13/03/2026
𝙌𝙪𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙖 𝙚𝙨𝙥𝙚𝙧𝙖 𝙥𝙤𝙧 𝙟𝙪𝙨𝙩𝙞ç𝙖 𝙩𝙚𝙧𝙢𝙞𝙣𝙖… 𝙢𝙖𝙨 𝙖 𝙫𝙚𝙧𝙙𝙖𝙙𝙚 𝙘𝙤𝙣𝙩𝙞𝙣𝙪𝙖 𝙨𝙚𝙢 𝙧𝙚𝙨𝙥𝙤𝙨𝙩𝙖
Durante mais de um ano, a família da Paula viveu entre a dor e a esperança.
Esperança de que um dia a verdade seria dita.
Esperança de que a justiça moçambicana pudesse dar respostas à pergunta que existe desde 26 de dezembro de 2024: Quem matou Paula?
Paula foi encontrada sem vida, com sinais de violência sexual e asfixia, num terreno baldio no bairro Costa do Sol. Uma jovem com sonhos, com uma família que a amava, com uma vida inteira pela frente.
Cinco jovens, vizinhos da vítima, foram detidos como suspeitos.
Seguiram-se meses de investigações, audições, sessões de julgamento e apresentação de provas. A família esperou e sociedade também .
Todos queríamos que esse dia chegasse. O dia em que finalmente se saberia quem tirou a vida de Paula.
Mas o que chegou não foi alívio.
Foi espanto, frustração e dor renovada.
Segundo o tribunal, não foi possível provar quem é o autor material do crime. O Ministério Público não conseguiu apresentar provas consideradas suficientes para identificar o culpado.
E assim surge uma pergunta que não sai da cabeça de muitos.
Como é possível um crime desta gravidade acontecer, haver cinco suspeitos, e ainda assim não existir um culpado?
Para a família da Paula, a espera de mais de um ano terminou sem respostas.
A dor permanece e vazio também .
E para a sociedade ficam outras perguntas difíceis:
Como ficam as mulheres?
Como ficam as raparigas?
Continuaremos a viver com medo de sair de casa?
Com medo de ir à escola, ao trabalho, a um convívio?
Com medo de confiar no espaço público?
No final, uma das mensagens ouvidas pela Juíza doi:
“Cuidem das vossas crianças, controlem-nas.”
Mas é importante lembrar, A responsabilidade nunca é da vítima.
A responsabilidade é de quem violenta, abusa e tira uma vida.
O Estado existe para proteger, investigar e garantir que crimes desta natureza não fiquem sem resposta.
Hoje, mais do que nunca, a memória de Paula exige que continuemos a perguntar, a exigir e a lutar para que a vida das mulheres não seja tratada com indiferença.
Paula merece justiça.
E a luta contra a violência contra mulheres e raparigas não pode parar aqui.