07/06/2026
Los agrotóxicos mata todas las formas de vida, envenenan los ríos, contaminan el suelo, matan al ser humano!
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pedindo R$ 3,6 milhões em indenizações contra o proprietário e dois produtores arrendatários de uma fazenda em Seringueiras (RO). Eles são acusados de intoxicar o povo indígena Puruborá com agrotóxicos e contaminar o Rio Manoel Correia, principal fonte de água e alimento da comunidade. A investigação revelou a abertura de valas irregulares de drenagem que despejaram resíduos químicos diretamente no rio, além da destruição de cerâmicas ancestrais do Sítio Arqueológico Puruborá pelo uso de tratores.
Inspeções de agências estaduais, como a Idaron, concluíram que a área é tecnicamente inviável para o plantio de soja por ser muito úmida e abrigar diversas nascentes. Análises do solo detectaram herbicidas altamente tóxicos, que liberam gases perigosos. As pulverizações terrestres desrespeitaram a distância mínima legal das aldeias e áreas de preservação. O MPF classificou o uso de veneno nesse contexto de tensão fundiária como uma "arma química" utilizada para forçar a expulsão da comunidade de seu território tradicional.
O caso em Rondônia escancara o lado mais violento da expansão agrícola desordenada: quando a busca por áreas de plantio atropela a dignidade humana, a cultura e a própria ciência. O fato de os produtores terem ignorado laudos técnicos que atestavam a inviabilidade ecológica da terra para a soja evidencia que a degradação não foi um acidente, mas uma escolha.
Usar produtos químicos de alta toxicidade de forma irregular, a ponto de adoecer famílias inteiras e envenenar rios, ultrapassa a barreira da infração ambiental e entra na esfera das violações de direitos humanos. O agronegócio que o Brasil precisa para o futuro não tem espaço para práticas de intimidação. Punir exemplarmente o uso de veneno como ferramenta de coerção e garantir a segurança territorial dos povos originários são passos inegociáveis para qualquer sociedade que deseje aliar produção e respeito à vida.
Fonte: G1