10/05/2026
A origem da palavra “feminismo” é uma história fascinante e cheia de reviravoltas inesperadas. Você sabia que sua primeira aparição documentada, em Paris, em 1871, aconteceu em uma tese médica? Sim, o médico Ferdinand Valère Faneau de la Cour utilizou o termo para descrever uma suposta “patologia” em homens tuberculosos. Ele observou que alguns pacientes desenvolviam características que considerava femininas, como quadris largos ou voz aguda, e chamou esse conjunto de traços de “feminismo”, entendendo-o como uma interrupção do desenvolvimento masculino, uma feminização patológica do corpo. Ele chegou até mesmo a relacioná-lo à fraqueza de caráter, características que na época eram associadas negativamente às mulheres.
Um ano depois, a palavra deu outro salto, desta vez para o campo do insulto. O escritor Alexandre Dumas filho a utilizou de forma pejorativa em seu panfleto L’homme-femme.
Chamava de “feministas” os homens que apoiavam os direitos políticos das mulheres, associando-os àquela suposta “doença” do corpo masculino. Assim, chamar alguém de feminista era acusá-lo de uma fraqueza moral e intelectual.
Mas a história não termina aí. Graças à força e à visão de mulheres corajosas como a sufragista francesa Hubertine Auclert, a palavra foi ressignificada. O que antes era um termo ofensivo transformou-se em bandeira de luta e símbolo poderoso do movimento pela igualdade de direitos entre mulheres e homens. Essa ressignificação é um ato linguístico de rebeldia: tomar uma palavra usada contra você e transformá-la em identidade.
No Grito de Mulher, celebramos essa capacidade das palavras de se rebelarem e se transformarem, assim como nós. Hoje, o feminismo é o princípio de igualdade que nos une e nos impulsiona a continuar levantando nossas vozes, sem fronteiras, por um mundo mais justo para todas e todos.
Somos grito
www.gritodemujer.com