21/01/2026
MEP chega aos 29 anos com memória, protagonismo feminino e renovação.
No dia 21 de janeiro de 1997, um grupo formado por 15 pessoas, entre lideranças de diferentes comunidades de Volta Redonda e integrantes de organizações populares, realizou a primeira reunião que deu origem ao Movimento Ética na Política de Volta Redonda (MEP-VR). Passados 29 anos, o MEP mantém-se como referência na defesa da cidadania, da participação popular, da ética na política e dos direitos humanos, consolidando-se como um dos movimentos sociais mais atuantes do Sul Fluminense.
Entre os participantes daquele encontro histórico estava Elza Helena Sousa, então liderança da Comunidade Eclesial de Base Santa Terezinha, no bairro Coqueiros. Após amplo debate e construção coletiva, Elza Helena foi indicada como primeira coordenadora do MEP, função que exerceu entre 1997 e 1999, ao lado de Esther Pacífico, bacharela em Direito (in memoriam).
Posteriormente, Elza Helena atuou também como secretária do Movimento, no período de 2000 a 2003, além de assumir diferentes responsabilidades ao longo de aproximadamente 15 anos de militância ativa, contribuindo de forma decisiva para a consolidação institucional e política do MEP. Atualmente licenciada das atividades cotidianas, Elza Helena segue como membra do Movimento. Na marca dos 29 anos de criação do MEP, o resgate da memória institucional e o reconhecimento da presença ativa das mulheres na construção da entidade fazem parte do processo permanente de fortalecimento do Movimento, especialmente daquelas que estiveram desde os seus primeiros passos.
Além de Elza Helena, o MEP reconhece, in memoriam, a contribuição de Esther Pacífico (bacharela em Direito), Maria Real (pedagoga), Valéria Galvão (jornalista), Amélia Manuel (pedagoga) e Luiza Silva (liderança comunitária), mulheres que ajudaram a fortalecer as bases éticas, organizativas e formativas do Movimento.
Clareza e disposição
Ao recordar os primeiros passos do MEP, Elza Helena destaca o caráter consciente, organizado e coletivo do grupo fundador. Segundo ela, desde o início havia clareza quanto aos objetivos e ao método de trabalho.
“Foi um trabalho muito potente, com pessoas conscientes do que estavam fazendo. Havia muitos desafios naquele período, mas também havia clareza sobre os direitos e disposição para lutar pelo bem do povo”, relembra a ex-coordenadora ressalta ainda que o MEP nasceu comprometido com a formação política, a organização popular e o cuidado com a vida.
“Participamos de um grupo organizado, que segue firme até hoje. O Movimento continua, os desafios permanecem e novos atores sociais, em sua maioria jovens, assumem essa tarefa, merecendo todo o nosso carinho e respeito”, afirma. Para Elza Helena, a principal contribuição do MEP ao longo dessas quase três décadas está na formação de cidadãos e cidadãs conscientes.
“A luta por direitos passa necessariamente pelo conhecimento e pela consciência política. Para buscar seus direitos, o povo precisa saber quais são esses direitos e ter coragem para lutar por eles. Esses direitos são de todos os seres humanos”, enfatiza.