03/04/2026
A Associação de Moradores do Centro de Vitória manifesta sua preocupação e estranhamento diante da notícia, publicada pela imprensa local em 31 de março de 2026, de que essa respeitável instituição deverá ganhar uma nova sede na Enseada do Suá, indicando a possível transferência de suas atividades do Centro Histórico da cidade.
Não se trata de uma mudança trivial. Trata-se de uma decisão que toca diretamente a responsabilidade institucional com a preservação da memória, da história e do papel simbólico que a OAB-ES construiu ao longo de décadas no coração de Vitória. Conforme a própria trajetória institucional registra, foi no Centro que a advocacia capixaba se estruturou, se fortaleceu e se afirmou como agente essencial à justiça e à democracia.
Diante disso, é imprescindível questionar: quais são, de fato, os motivos dessa mudança? O que justifica a ruptura com um território que não apenas abriga, mas constitui a identidade institucional da OAB-ES? O que se ganha ao deixar o Centro Histórico e o que, inevitavelmente, se perde?
Causa ainda mais inquietação o fato de que a proposta apresentada se apoia na construção de novas estruturas descritas como modernas, de “vidros e cristais”. No entanto, é preciso afirmar com clareza: mais do que edifícios de vidros e cristais, o que a sociedade exige são instituições transparentes em seus atos, firmes na preservação de sua memória e comprometidas com o território em que estão inseridas.
A eventual saída da OAB-ES do Centro de Vitória contribui para um processo já conhecido de esvaziamento institucional da região, fragilizando sua dinâmica urbana, econômica e social. O Centro Histórico não pode ser tratado como um espaço descartável, substituível por novas centralidades que ignoram o valor acumulado de sua história e de suas relações.
Instituições como a OAB não ocupam apenas endereços — elas ocupam lugares na memória coletiva e exercem papel estruturante na vida da cidade. Sua permanência no Centro é, portanto, também um compromisso com a vitalidade urbana, com o acesso democrático e com a valorização do patrimônio material e imaterial.
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