17/06/2026
O texto de Freud ‘O recalque’ (1915) causou algumas questões.
Sendo o recalque uma das vicissitudes da pulsão, Freud se pergunta: “... por que uma moção pulsional deve sofrer uma vicissitude?”
O termo vicissitude tem origem latina, derivado de vicis, que significa mudança, variação ou troca.
Em português, significa: reveses, dificuldades, provações, imprevistos.
Mesmo sendo falha, a evitação do desprazer é a função do recalque.
Ele é um deslocamento com uma força constante, tal como um navio adentrando no mar; provoca um grande deslocamento de água, porém sofre a pressão do mar à sua volta.
A ideia recalcada desloca ou abole a cota de afeto, produzindo substitutos como: sintomas, atos falhos, sonhos, chistes, esquecimentos e fantasias.
Em torno dessas questões aconteceu nosso encontro no Quartas com Freud e Lacan.
Para fazer a articulação clínica foi revisitado o caso clínico de Freud ‘O homem dos Ratos’.
Freud coloca que na neurose obsessiva ocorre uma regressão, por meio da qual um anseio sá**co se transforma num anseio amoroso. É esse impulso hostil contra a pessoa amada que está submetido ao recalque.
A ambivalência que permitiu que ocorresse o recalque pela formação reativa, é também o ponto por onde o recalcado retorna. O afeto deslocado retorna transformado em medo social, medo da própria consciência moral, e na forma de uma repressão impiedosa.
A representação rechaçada é substituída por algo menor e indiferente, ocorrendo uma substituição por deslocamento. Freud coloca que o trabalho do recalque na neurose obsessiva resulta numa luta sem êxito nem fim.
E como podemos articular esses mecanismos em nossa contemporaneidade? Hoje (17) vamos retomar as questões surgidas a partir da leitura do texto freudiano do recalque.