Psicanálise&Cultura

Psicanálise&Cultura Instituição psicanalítica fundada em 2004, comprometida com a transmissão da Psicanálise e a formação do psicanalista.

Constitui-se em um espaço para compartilhar e divulgar atividades e laços de trabalho, fundamentados no nó que torna Psicanálise e Cultura indissociáveis, articulando de forma moebiana as duas dimensões da Psicanálise - intensão e extensão - imprescindíveis à formação do psicanalista e à sua transmissão.

O texto de Freud ‘O recalque’ (1915) causou algumas questões.Sendo o recalque uma das vicissitudes da pulsão, Freud se p...
17/06/2026

O texto de Freud ‘O recalque’ (1915) causou algumas questões.

Sendo o recalque uma das vicissitudes da pulsão, Freud se pergunta: “... por que uma moção pulsional deve sofrer uma vicissitude?”

O termo vicissitude tem origem latina, derivado de vicis, que significa mudança, variação ou troca.
Em português, significa: reveses, dificuldades, provações, imprevistos.

Mesmo sendo falha, a evitação do desprazer é a função do recalque.

Ele é um deslocamento com uma força constante, tal como um navio adentrando no mar; provoca um grande deslocamento de água, porém sofre a pressão do mar à sua volta.

A ideia recalcada desloca ou abole a cota de afeto, produzindo substitutos como: sintomas, atos falhos, sonhos, chistes, esquecimentos e fantasias.
Em torno dessas questões aconteceu nosso encontro no Quartas com Freud e Lacan.

Para fazer a articulação clínica foi revisitado o caso clínico de Freud ‘O homem dos Ratos’.

Freud coloca que na neurose obsessiva ocorre uma regressão, por meio da qual um anseio sá**co se transforma num anseio amoroso. É esse impulso hostil contra a pessoa amada que está submetido ao recalque.

A ambivalência que permitiu que ocorresse o recalque pela formação reativa, é também o ponto por onde o recalcado retorna. O afeto deslocado retorna transformado em medo social, medo da própria consciência moral, e na forma de uma repressão impiedosa.

A representação rechaçada é substituída por algo menor e indiferente, ocorrendo uma substituição por deslocamento. Freud coloca que o trabalho do recalque na neurose obsessiva resulta numa luta sem êxito nem fim.

E como podemos articular esses mecanismos em nossa contemporaneidade? Hoje (17) vamos retomar as questões surgidas a partir da leitura do texto freudiano do recalque.

No último sábado (13), realizamos o encontro entre os cartéis que trabalham o Seminário 9 – A Identificação.As apresenta...
15/06/2026

No último sábado (13), realizamos o encontro entre os cartéis que trabalham o Seminário 9 – A Identificação.

As apresentações e comentários em torno da lição 14 permitiram acompanhar, de forma rigorosa e viva, o movimento pelo qual Lacan retoma Freud para extrair consequências que permanecem fundamentais para a clínica e para a formação do analista.

Um dos aspectos que mais se destacou foi a nitidez com que apareceu o leitor que é Lacan. Ao formalizar a identificação pela lógica do significante, ele não se afasta de Freud nem abandona os fundamentos da descoberta freudiana.

Ao longo da discussão, tornou-se evidente que a questão da identificação não conduz a uma teoria da identidade. A constituição do sujeito pelo significante implica sua ex-sistência em relação ao campo do Outro. O sujeito surge marcado por uma divisão que encontra no complexo de Édipo uma operação decisiva, na medida em que este organiza o laço com o grande Outro, lugar a partir do qual se constitui a experiência da alteridade.

Nessa perspectiva, a identificação não visa uma completude, mas revela uma falta estrutural que se produz justamente na relação entre sujeito e Outro, que não se apresenta como um lugar de saber completo. Há nele um furo irredutível, e é aí que podemos localizar uma das contribuições mais fundamentais de Freud: a verdade não coincide com o saber. Talvez seja esse um dos pontos mais valiosos.

O recalque originário deixa então de ser apenas um conceito metapsicológico para tornar-se uma referência fundamental na compreensão da estrutura do sujeito e de sua relação com o Outro.

Encontros como este mostram que a transmissão da psicanálise não se reduz à circulação de conceitos ou ao acúmulo de conhecimentos, mas sustenta-se numa elaboração coletiva em que a leitura, o estudo e a experiência de cada um podem produzir novos desdobramentos para todos.

✍️Escrito por Simoni Hülle

15/06/2026
“Um forte egoísmo protege contra o adoecimento, mas afinal é preciso começar a amar para não adoecer, e é inevitável ado...
12/06/2026

“Um forte egoísmo protege contra o adoecimento, mas afinal é preciso começar a amar para não adoecer, e é inevitável adoecer, quando, devido à frustração, não se pode amar.” (Freud,1914)

Afinal, pelo que somos amados?
Somos amados por aquilo que pensamos merecer amor?
Que sentimento é esse que permite que cada um ame a seu próprio modo, com a sua própria história, com seu sintoma e ainda assim durar décadas?

Esse amor nos dá um belo trabalho e nos coloca em movimento porque não chega pronto, é construído sem manual e ainda desfaz os ideais que tínhamos do outro, do mundo, de quem pensávamos ser; chacoalha nossas certezas, nos dando notícias de um mundo para além do nosso narcisismo. Até mesmo faz cair o que supúnhamos que seria o amor, no entanto, nos convoca a seguir e a suportar as diferenças.

O amor, esse tema tão explorado por poetas, músicos, pintores, também fez com que Freud e Lacan fossem ao trabalho e colocassem suas contribuições, elaborando sobre relacionamentos amorosos, o amor de transferência e o amor parental, colocando que o amor tem mais a ver com o campo do inconsciente do que do consciente. A psicanálise teve e ainda tem abundantes oportunidades de recolher consideráveis impressões da vida amorosa.

“Amar é dar o que não se tem”, nos coloca Lacan, dizendo justamente que amar não é completar o outro, mas que ele surge justamente da falta, daquilo que não pode ser completamente dito ou satisfeito.
Será que não é esse o movimento que o amor nos provoca?

“Amar alguém
Que nos leve a
Amar a vida
Mais do que esse alguém
E por isso amar
Tanto, tanto”
(Ana Suy, “Amar”)

Será que não amamos também, ou acima de tudo, a relação que as pessoas têm com a própria vida?
Feliz dia dos namorados, sobretudo, aos apaixonados pela vida!

✍️Texto escrito por Lara Moura

No próximo sábado (13), das 9h às 12h, na sede da Psicanálise&Cultura, acontece mais um Encontro entre Cartéis. Desta ve...
10/06/2026

No próximo sábado (13), das 9h às 12h, na sede da Psicanálise&Cultura, acontece mais um Encontro entre Cartéis. Desta vez, os dois cartéis que trabalham o Seminário 9 — A Identificação — se reunirão em torno da Lição 14.

O que o desejo quer do Outro? Por que o desejo se constitui justamente no ponto em que o Outro não pode responder? O que a verdade tem a ver com aquilo que permanece oculto? E por que o neurótico insiste em querer que o Outro saiba?

Entre o desejo, a demanda, a falta e a função do objeto, Lacan conduz uma reflexão que toca alguns dos pontos mais decisivos da experiência analítica. Uma oportunidade de colocar em trabalho questões que permanecem centrais para a clínica e para a formação do analista.

Esperamos você para essa conversa.

Nossa programação de junho já está disponível. Confira!
02/06/2026

Nossa programação de junho já está disponível. Confira!

A Escola proposta como D’ecolage.“Psicanalisar, governar e educar são profissões impossíveis.”— Sigmund FreudO encontro ...
01/06/2026

A Escola proposta como D’ecolage.

“Psicanalisar, governar e educar são profissões impossíveis.”
— Sigmund Freud

O encontro do dia 27 girou em torno de discussões sobre os laços de trabalho entre psicanalistas e os impasses que lhes são inerentes, desfavorecendo o trabalho de Escola. A Comissão Proposição para uma Escola foi levada a uma constatação: não se trata apenas de discutir e fundamentar a proposta de Escola para a psicanálise.

A questão que se impõe é outra.

Como sustentar um projeto de formação que não perca sua articulação com aquilo que se produz na experiência analítica?

Freud nos ensina que não há trabalho psíquico sem ligação. Lacan recoloca que a formação do analista não pode ser separada da experiência da análise e que é a intensão que funda a extensão da psicanálise.

Esse é o ponto que hoje nos convoca: pensar quais dispositivos podem sustentar, entre Nós, a transmissão da psicanálise e a formação analítica, sem desconsiderar o real que lhes é próprio. Em resumo, que dispositivos permitem dar um tratamento ao real em jogo na formação?

Considerando que Lacan incluiu a dissolução como recurso para a D’ecolage, seguimos na insistência apontada por Freud: educar, governar e psicanalisar são profissões impossíveis.

A Comissão Proposição para uma Escola convida os participantes e membros da Psicanálise&Cultura para um encontro de trab...
25/05/2026

A Comissão Proposição para uma Escola convida os participantes e membros da Psicanálise&Cultura para um encontro de trabalho no próximo dia 27.
Há questões que o próprio percurso institucional e os laços de trabalho estabelecidos fazem retornar — não porque já estejam respondidas, mas porque exigem elaboração e trabalho.

Após mais de duas décadas sustentando a transmissão da psicanálise, a clínica e a formação permanente, decorrentes do laço estabelecido pelos fundamentos da psicanálise de Freud e Lacan, a Psicanálise&Cultura se vê convocada a interrogar, de forma mais rigorosa, a questão Escola.

Transmissão, formação, autorização, responsabilidade institucional e os modos de sustentar a psicanálise hoje estarão no centro dessa conversa.

Mais do que uma comunicação institucional, trata-se de um convite ao trabalho.

Contamos com sua presença.

Na última quarta (13/05) concluímos os trabalhos em torno do texto Suplemento metapsicológico à teoria dos sonhos (1915)...
20/05/2026

Na última quarta (13/05) concluímos os trabalhos em torno do texto Suplemento metapsicológico à teoria dos sonhos (1915), de Freud, dentro do projeto Quartas com Freud e Lacan. Os trabalhos foram conduzidos por Rachel Pessoa, Rosane Morais e Simoni Hulle, e retomaram uma questão que atravessa de forma cada vez mais insistente a clínica contemporânea: a dificuldade de dormir e/ou continuar dormindo.

Largamente explorado pela indústria “medicamentosa e hormonal” de nossa época, como decorrente do envelhecimento, e do apelo ao consumo e ao êxito demandados pelo neoliberalismo de nosso tempo, esquecemos que Freud, no início da psicanálise, já anunciava que o Eu não é senhor em sua própria casa.

O que os Suplementos metapsicológicos nos entregam quanto a isso?

Freud nos conduz ali a um deslocamento decisivo: o dormir deixa de ser pensado apenas como fenômeno biológico ou estado passivo de repouso e passa a exigir uma série de operações psíquicas. O sonho, longe de ser mero conteúdo a interpretar, aparece como trabalho do inconsciente e como tentativa de tratamento da excitação pulsional. É nesse sentido que Freud poderá afirmar que o sonho é o guardião do sono.

Partindo dessa formulação, a articulação clínica pôde interrogar algumas manifestações recorrentes que acolhemos hoje na clínica:

– dificuldade de conciliar o sono;
– despertares abruptos;
– interrupções recorrentes;
– sensação de exaustão, sem repouso;
– ou mesmo a impossibilidade de dormir.

Embora raramente essas questões conduzam inicialmente alguém à psicanálise, torna-se frequente verificar, no decorrer de uma análise, a estreita relação entre determinados momentos da direção da cura e alterações importantes do dormir.

Nosso próximo encontro será na primeira quarta do mês de junho, em torno do texto O recalque (1915), de Freud. Aguardamos vocês lá.

Endereço

Avenida Champagnat, 501, Ed. Mariner Center, Sala 605
Vila Velha, ES
29101-390

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