10/05/2026
A NOVA DIMENSÃO
(J. Herculano Pires)
Acelera-se a evolução da Terra. Novos tempos abrem-se diante de nós. Da chamada Era Tecnológica passamos sem sentir para a Era Psicológica. Começamos a perceber, apesar dos óculos opacos do pragmatismo, que na verdade não vivemos no plano material, mas no espiritual. Acertam as Filosofias da Existência ao sustentarem a natureza subjetiva do ato de existir. O homem não é um ser biológico, mas psíquico. Vivemos de anseios, de aspirações, de sonhos, de ideias e sentimentos. A própria técnica, aplicada à Psicologia, revela cada vez mais a intensidade da nossa vida emocional que se sobrepõe à estrutura tecnológica e dirige a nossa mente em busca da verdade espiritual do homem.
Maria Dolores coloca esse problema na mensagem comemorativa do Dia das Mães. Tecnicamente procuramos conduzir a criatura humana através de esquemas psicológicos traçados sob a inspiração das máquinas. Queremos reajustar comportamentos e reorganizar a vida em termos cibernéticos. Procuramos dar ao homem a eficiência fria dos mecanismos que movimentam as máquinas. Mas o homem reage e cai na revolta da angústia, do desespero, da insubmissão aos esquemas rígidos. O amor desvirtuado, a ternura asfixiada, a liberdade descontrolada, explodem na revolta dos instintos animais que levam à enganosa fuga dos tóxicos e das ideologias fratricidas.
Cria-se uma nova terminologia. Escreve-se e fala-se levianamente sobre impulsos vitais, autenticidade, opressão familiar, superproteção e coisas semelhantes. Mas a força maior que impulsiona os seres e move os mundos no espaço f**a no esquecimento. Poucos se lembram do poder do amor e são considerados como passadistas, marginais do progresso, inadaptados aos novos tempos. Maria Dolores volta a bater na tecla esquecida para mostrar que o verdadeiro amor transcende a todas as nossas ambições técnicas. A mãe superprotetora pode errar nos seus excessos de vigilância, mas erra menos do que os psicólogos de mentalidade cibernética.
O amor materno cobre a loucura dos homens e abre uma nova dimensão para a vida humana. É a dimensão do humano sobrepondo-se à dimensão do animal e da máquina. A palavra "mãe", tão pequenina, escapa às medidas técnicas dos psicólogos mecânicos. É um raio de luz que as peneiras metálicas não conseguem prender. A senha do futuro abrindo as portas da verdadeira vida.
Vale mais um beijo de mãe de olhos fechados do que todas as técnicas modernas para corrigir e orientar os filhos.
Trecho do livro "Astronautas do Além", de Francisco Cândido Xavier, J. Herculano Pires, Espíritos Diversos. Ed. GEEM.
Obra de arte: Maternidade (1938), de Tarsila do Amaral.