A República o cortiço, fundada em 1998 por ilustres companheiros, contribui, desde a sua inauguração, com engenheiros, administradores, comunicadores e profissionais de diversas áreas, para o “futuro” do nosso país.
É justamente a sua origem anárquica, em contradição aos ideais republicanos de bem-estar, que agrega o diferencial aos seus moradores: entre as pedras, nascem as mais belas flores; e
ntre os livros velhos e empoeirados é que surgem os conhecimentos necessários aos sonhos. Penduradas e desenhadas nas paredes ou até mesmo contadas nas canjiquinhas apócrifas de 1997, nossas histórias se cruzam e alcançam o seu propósito no momento certo. Esse é o espaço de encontro internáutico neocontemporâneo pós-modernista daqueles que fizeram e fazem do cortiço uma autêntica fábula urbana, um fidedigno oásis frente à miríade situacional da vida universitária. Como não lembrar das fatídicas epopeias de Borela – o empalador de empregadinhas, do P**o Jão – que nunca mais formou, do menino Thadeuzim – que nunca mais comprou alho, do Madson - que vai ser papai, e do André Felipe – que foi comprar cigarro no frião e recentemente foi encontrado na região de Lavras? Por aqui, a história continua nas peripécias fésticas de Joel Cruel, nas pequenas atividades ilícitas de Ítalo Dupó Soros, nas surpresas ultra-apaixonadas e econômicas do Duduzinho, e também se estendem pelos canaviais boladões do Leozinho, acompanhado de perto pelo conselho tutelar. Como não lembrar do Lukete, do Rony Peter e, por que não, do Lucas Piter?
É maluco que não acaba mais! Sintam-se na sala de estar - de cueca e chinelo de dedo, e na companhia dos menudos – para contar as nossas histórias.
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Para o Aloísio Azevedo, as coisas funcionavam mais ou menos assim:
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo […]. O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sangüínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.