13/01/2026
Há ventos que não passam.
Eles retornam, circulam, ensinam.
Celebrar 20 anos do evento em Popá, organizado pelo Mestre Jaime de Mar Grande, é também reverenciar seus 60 anos de Capoeira Angola, vividos no corpo, no silêncio e na permanência. A presença dos Mestres Boca Rica e Augusto Januário tornou esse encontro um verdadeiro reencontro de tempos, histórias e linhagens.
A roda que se abriu ali trouxe à tona a Capoeira Angola herdada dos Mestres Virgílio da Faz Grande, Caiçara e Mário Bom Cabrito — raízes profundas que seguem sustentando o tronco vivo dessa arte.
Há muito tempo não publico um vídeo meu jogando Capoeira Angola. Tenho me colocado na metáfora da manga espada: ela não dá em qualquer tempo, nem em qualquer lugar. Mas esse jogo, compartilhado com uma das minhas grandes referências, o Mestre José Santa Rosa, da Academia de Capoeira Angola 1º de Maio, pediu passagem. Quando cheguei menino por lá, ele já era presença firme, assim como o Mestre Augusto Januário — ambos já eram história em movimento.
Esses mestres são influências diretas do jogo que atravessa nossas trajetórias na Capoeira Angola, aprendida na periferia de Salvador, num tempo em que muitos diziam que não havia angoleiros na cidade. Mas se a Angola “ressurge” a partir de 1983, onde estava então esse homem de cabelos brancos, com mais de 70 anos? Será que ele já não era angoleiro?
Esse jogo, carregado de manha, malícia e escuta, tem com certeza mais de 100 anos: somando meus mais de 40 aos mais de 60 e poucos do Mestre Santa Rosa. Tempo que não se conta só em números, mas em vivências.
“O rio não bebe da sua própria água; ele corre para matar a sede de outros.”
— Provérbio africano
Desfrutem do jogo. Respirem o texto.
Sem polemizar… kkkkk.