08/08/2023
.sidnei Alguém me mandou esta foto e é impossível, para mim, não problematizar os sentidos da imagem. Há várias camadas e eu entendo isso. Há várias camadas semânticas. Não vou problematizar questões pessoais e não quero que pensem que estou personalizando a questão. Nem vou usar os nomes reais. Temos três mulheres que, por meio de televisão, colocaram sobre o Brasil padrões de beleza, de estética, do que é belo e do que é feio. Não há discurso neutro e não há imagens neutras. Quando eu digo que os desejos são colonizados, é sobre isso que eu estou falando. Somos condicionados a desejar padrões de beleza que espelham prestígio, fama, riqueza e estes padrões nunca são negres. Nunca são. O outro ponto é que sempre devemos desconfiar do antirracismo da branquitude. Nem no “criança esperança”, meus filhos, minhas filhas, minhas crianças de terreiro estavam representadas. Então, é tudo sempre sobre “eles”. Nem podemos falar em narrativas em disputa. Só podemos falar de etnocentrismo branco. Reitero que não estou questionando o talento de ninguém, nem a existência e menos ainda a Branquitude, muito embora, uma delas, em outro momento da história, tenha dito que “ a partir dela, o mundo saberia que havia mulheres louras no Brasil para além de mulatas”. Bom. Estou problematizando sim um antirracismo de ocasião, uma tomada de consciência racial que só serve sempre ao capitalismo. Não sei se temos como fugir disso, mas podemos pelo menos problematizar. Eu sempre penso como poderia ter sido: “olha, eu acho que deveríamos tornar este painel mais antirracista - está muito branco, vamos chamar também (…)”. Mas não. É tudo e sempre sobre “eles”. Como acreditar? Aí você tem uma novela com a maioria do elenco negro com uma audiência surpreendente, mas eles só nos querem onde eles nos querem. Sim. Temos avançado. Mas me causou um incômodo esta imagem. Eu sou semioticista, nao existe discurso neutro, o corpo é um texto, o cabelo é, a pele também o é. Há manipulação aí. Há colonialismo imagético. Não consigo não me incomodar.