A apicultura no Estado do Mato Grosso do Sul começou a se desenvolver no início da década de 1980 com a criação da ASA – Associação Sulmatogrossense de Apicultores e a implantação do Programa de Desenvolvimento e Incentivo da Apicultura. O Programa, elaborado pela EMPAER – Empresa de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, atual Agraer, que tinha como objetivo incentivar a atividade apícol
a no estado, com prioridade nas regiões de cerrado onde predominavam as maiores reservas florestais com abundante pasto apícola. Com a realização de treinamentos para os técnicos responsáveis pela assistência aos apicultores em 30 municípios selecionados e a instalação de apiários demonstrativos, a atividade apícola teve o desenvolvimento incentivado no estado. O desenvolvimento das ações propostas pelo Programa de Incentivo à Apicultura despertou o interesse e a adesão de grande número de produtores, proporcionando um rápido crescimento da apicultura e possibilitando a criação de novas associações de apicultores em várias regiões do estado. A realização permanente de cursos básicos de apicultura ministrados pelo SENAR-MS e Associações de apicultores tem sido grande incentivo para a expansão da apicultura com as qualidades técnicas desejáveis. O Estado de Mato Grosso do Sul possui por volta de 700 apicultores, com aproximadamente 15.000 colméias e uma produção estimada em 650 toneladas de mel/ano. Em torno de 80% são pequenos apicultores com exploração fixa e com média de produção de 15kg/colméia/ano. Os apicultores com boas técnicas de manejo conseguem produzir de 30 a 120kg de mel/colméia/ano. As grandes floradas ocorrem na primavera como: Cipó-úva; Sucupira preta; Faveiro; Camboatá; Capitão; Peito de pomba; Angico; Maria preta; Pimenta de macaco; Cana de Pito; Fava de anta e outras espécies de vegetação rasteira com valor apícola, possibilitando de duas a quatro colheitas de mel de agosto a dezembro. A apicultura migratória é explorada por poucos apicultores que exploram os reflorestamentos com Eucalipto, floradas silvestres e lavoura, com produção média de 80 a 100 Kg/colmeia /ano. A organização dos apicultores partiu com a fundação da FAAMS - Federação das Associações de Apicultores de Mato Grosso do Sul, com sede em Campo Grande, hoje denominada FEAMS - Federação de Apicultura e Meliponicultura de Mato Grosso do Sul, contando com a participação e o apoio do SEBRAE-MS em vários eventos, levantamentos, diagnósticos e ações que contribuíram para o crescimento da apicultura sul-matogrossense. Atualmente existem mais de 20 associações de apicultores nos diversos municípios do estado de Mato Grosso do Sul. Novas associações estão sendo criadas em vários municípios, com maior demanda nos assentamentos de reforma agrária, onde a apicultura oferece nova fonte de renda familiar com a exploração das reservas naturais. O Estado de Mato Grosso do Sul possui um bom potencial para a exploração apícola, tanto nas regiões de matas, ao sul, nas regiões de cerrado e no pantanal. Além da rica flora natural constituída pelas reservas permanentes, a agricultura, as florestas de Eucalipto completam o pasto apícola possibilitando a exploração migratória. O Pantanal sulmatogrossense com uma cobertura natural de abundante e rica flora constitui o maior potencial apícola do estado. A existência de abelhas nativas em grande quantidade em toda a região pantaneira, que mesmo alojadas em forma de cachopas, nos galhos das árvores, têm abundante produção de mel, mostrando que a região é de grande potencial para a apicultura. Além das condições favoráveis para produzir em grande quantidade, o mel do Pantanal, oriundo de várias floradas, pode ser considerado mel orgânico, devido às condições naturais da região. A Falta de conhecimento sobre o pasto apícola, técnicas de manejo das colméias e o comportamento das abelhas africanizadas na região constituem grandes limitações para o desenvolvimento da apicultura no Pantanal.