06/12/2024
'Matei muito ladrão, a real é essa' 🚨
Um homem morto em frente a uma loja Oxxo e outro arremessado de uma ponte colocam em xeque, mais 1x, a formação dos PMs no estado de São Paulo. Do início de janeiro ao dia 3 de dezembro, 712 pessoas foram mortas por PMs do estado, segundo dados do MP.
O número já representa 54,8% a mais do que o registrado ao longo de todo o ano passado, quando 460 pessoas foram mortas. Se comparados os números do mesmo período, foram 409 mortes até 3 de dezembro do ano passado, um aumento de 74%.
Mas quando o agente da PM se torna um assassino? Especialistas ouvidos pela reportagem associam o nascimento da disposição homicida especialmente ao “tirocínio”, ou seja, o momento em que o indivíduo é exposto ao exercício prático da profissão e moldado pelos valores dos veteranos.
“O currículo da formação policial tem se transformado e não coaduna com essas práticas. Na verdade, as práticas abusivas vêm de um momento posterior, quando o policial vai para a rua com os colegas”, explica Dennis Pacheco, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Público (FBSP).
Em São Paulo, o policial reconhecido entre os seus pares é chamado de Billy, em referência a Billy the Kid, pistoleiro e ladrão famoso por supostamente ter matado 1 pessoa por cada um dos seus 21 anos de vida, no século 18, nos Estados Unidos.
Aos valores e comportamentos assimilados no cotidiano, somam-se os discursos propagados pelo governador e secretário de Segurança Pública.
Guilherme Derrite, chefe das polícias no estado, chegou a afirmar que foi afastado da Rota devido ao excesso de mortes de civis. “Matei muito ladrão. A real é essa, simples. Pá! Tive muita ocorrência de troca de tiro, eu ia para cima. Quem vai para cima, está sujeito”, disse em entrevista a um canal do YouTube em maio de 2021.
Saiba mais na reportagem do 📲 https://bdf.onl/f/pP0P