17/04/2026
A Psicanálise enxerga a compulsão não como apenas um excesso, mas é a repetição de algo que ainda não encontrou palavra. Algo que o sujeito ainda não consegue simbolizar de outra maneira.
Na compulsão alimentar, a comida deixa de ser só alimento: pode virar anestesia, descarga, tentativa de acalmar uma angústia.
Muitas vezes, não se trata do que se come, mas do que se tenta silenciar.
A compulsão não costuma surgir do “nada”. Com frequência, ela se organiza em torno de uma relação tensa com o próprio corpo, com a imagem de si, com a culpa e com a necessidade de controle. Quanto mais rígida essa relação, maior o sofrimento.
A comida deixa de ser uma necessidade e até um prazer, e passa a ser “um tapa buracos”.
A Psicanálise não reduz isso à “falta de força de vontade”. Ela escuta: Que vazio se tenta preencher? Que sofrimento insiste em retornar?
Quando o sujeito encontra palavras para o que antes só aparecia no ato, a urgência começa a perder força.
E pouco a pouco, a comida volta a ser um prazer, uma necessidade e até mesmo…somente alimento.