21/09/2023
Pensemos um espaço tridimensional, que permaneça no pictórico, ele é off-line. Um lugar que necessite ser ativado pela ação/vida, no aqui e no agora. Um lugar que a gente tenha que ir, que haja movimento, deslocamento e encontro de pessoas. Este espaço se isola da turbulência da cidade. Ele é um ateliê de possibilidades. Ele agora é um recurso nosso, faz parte do corpo. A edif**ação deste espaço é como uma roupa que vestimos, que descoreografa o corpo já coreografado. Todo o espaço é obra, o corpo agora é obra, faz parte da obra na sua totalidade.
Maloca Centro Cultural é um movimento colaborativo, de coletividade e voluntariado que realiza ações culturais, artísticas e sociopedagógicas, para que os direitos humanos sejam respeitados e valorizados. Contudo, nossas ações impactam signif**ativamente na vida de quem faz uso deste aparelho, seja ele um frequentador, apoiador, voluntário. A mudança é incontornável para todes.
O prédio é um prisma que recebia e dispersava perspectivas sobre cultura, trabalho e formas de criar, conectando a utopia à materialidade da cidade. Era um espaço aberto, onde a condescendência e a cordialidade compulsória não eram bem-vindas. Projetou as diferenças e dissidências que a cidade tenta apagar e demonstrou o poder transformador da educação, cultura e arte sob novos paradigmas.
O artigo 215 da Constituição Federal, garante o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso à cultura nacional, mas muitos ainda enfrentam vulnerabilidades que limitam esse acesso. As gambiarras criadas para superar essas barreiras revelam nossa criatividade, mas também causam exaustão.
A não continuidade desse projeto no prédio da Francisco Scarpa reflete a complexidade da nossa cidade, que historicamente se orgulha de um desenvolvimento deletério. Isso nos lembra do nosso papel em sua reconfiguração diária, onde a mudança é incontornável para todes. E o nosso momento chegou. A partir de agora, seguimos de maneira outra, construindo novas perspectivas do projeto, criando coreografias que nos levem para ocupar outros espaços da cidade, sempre de maneira sensível e transformadora, em movimentos de emancipação para amar e construir, nutrir-se e nutrir.