“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.”
(Dom de Iludir – Caetano Veloso). Flutuando “entre a diversidade e a multiplicidade, sem perder a própria identidade” (Dimos Iksilara) é que nos lançamos sobre o Projeto Dandara, projeto que nasce de inquietações várias de alunos acerca da ausência de espaços para discussões voltadas para as questões de gênero, diversidade, sexualidade, afetividade,
identidade e outras. A escola tem papel importantíssimo no processo de afirmação dessa multiplicidade, de construção de identidade, como também de desconstrução de ideias e (pre)conceitos. Talvez, hoje, no Brasil e no mundo, desconstruir seja até mais urgente e enriquecedor do que construir. Abrir-se para o diálogo e a proposição de políticas de promoção e afirmação desse caráter plural que perpassa a existência da escola. Além da discussão de temas e situações problemas em rodas de conversa, grupos de estudos, seminários, minicursos, oficinas, a proposta é também criar “um espaço institucional de arte, cultura e produção de expressões artísticas e culturais” (GIVIGI, DORNELLES, p. 09, 2010) ligadas à temática da Diversidade. Ao propor espaços tais, a escola oferece aos alunos a oportunidade de crescer e amadurecer ideias e visões de mundo, tornando-se seres pensantes, que se lançam sobre as experimentações e abandonam as repetições, os discursos ultrapassados, os preconceitos, os fundamentalismos. Abrir espaços como este é sair do armário, deixar a caverna, e permitir-se lançar outro olhar sobre o mundo. É contribuir para que o indivíduo tome consciência de si e do mundo que o cerca, e de si inserido e como parte no processo de construção e desconstrução desse mundo. Numa alusão direta à Dandara, travesti brutalmente assassinada no dia 15 de fevereiro de 2017, em Fortaleza, e à Dandara, guerreira negra do período colonial no Brasil, mais que prestar homenagens e fazer memória, queremos escancarar todos os armários para falar sobre igualdade de gênero, machismo, feminismo, diversidade sexual e racial, lgbtfobia, intolerância religiosa, identidade, afetividade, sexualidade, e tudo o que mais couber nessa ciranda. O Projeto Dandara é a certeza de que discutir gênero, sexualidade, afetividade, identidade e diversidade na escola é colocar-se a caminho para a construção de uma cultura verdadeiramente democrática.