29/07/2024
Brasil
Sinait defende mais fiscais do
trabalho para reduzir acidentes
Na foto, de abril passado, fiscais do MTE em interdição de silos no porto de Santos
A diminuição de acidentes de trabalho no Brasil depende de fiscalização governamental que obrigue as empresas a proporcionarem condições seguras aos trabalhadores.
Essa fiscalização é feita pelos auditores fiscais do MTE (ministério do trabalho e emprego), cujo número é insuficiente para a enorme demanda de irregularidades em todos os setores.
A direção do sindicato da categoria (Sinait) lembrou, no sábado (27), o dia nacional da prevenção de acidentes do trabalho, para alertar a sociedade sobre o grave problema.
Número
insuficiente
‘Acidentes podem ser evitados. Fortalecer a inspeção do trabalho é valorizar a vida’. Com este mote, o sindicato nacional espera sensibilizar o governo sobre a necessidade de aumentar o número de fiscais.
A presidente da delegacia regional em Santos, Carmem Cenira, lembra que, apesar do concurso nacional marcado para abertura de 900 vagas, o número ainda será o insuficiente.
Ela explica que, enquanto cresce a população e consequentemente o número de trabalhadores, empresas e acidentes, o déficit de auditores permanece alto.
Tarefa
de todos
A saúde e segurança no trabalho, segundo a campanha do Sinait, exige fiscalizações constantes e rigorosas para proteger a integridade física, mental e a própria vida dos assalariados.
A data objetiva alertar trabalhadores, empregadores, governos e a sociedade sobre a importância de propostas que diminuam o número de acidentes e doenças do trabalho.
A intenção da entidade, que defende constantes fiscalizações nas empresas, é promover ambientes seguros e práticas saudáveis nos setores produtivos.
Quarto
colocado
Carmem pondera que o Brasil é o quarto colocado mundialmente em acidentes de trabalho fatais e o país que tem maior número de normas regulamentadoras (nr) do MTE.
As normas são obrigações, direitos e deveres de empregadores e trabalhadores para garantir trabalho seguro e sadio, prevenindo a ocorrência de doenças e acidentes. As primeiras são de 1978.
A sindicalista lamenta que as empresas coloquem nos locais de trabalho apenas placas informando o número de dias sem acidentes, sem citar, porém, os períodos de afastamento dos trabalhadores.
Construção
e transporte
Em 2023, o Brasil registrou 2.888 acidentes fatais. O total geral, segundo o MTE, foi de 499.955, a maioria na construção civil e no transporte rodoviário de cargas e passageiros.
Na construção, as principais causas são quedas de alturas, soterramentos e choques elétricos. No transporte, a fadiga dos motoristas por excesso de jornada.
Ainda no transporte, há riscos ergonômicos, psicossociais, utilização de remédios, estimulantes para aumentar produtividade, ganhos insuficientes, falta de manutenção nos veículos e rodovias precárias.
Mais risco com
os terceirizados
Carmem ressalta que o maior número de acidentes ocorre entre os trabalhadores terceirizados. E recorda do incêndio numa empresa no bairro Alemoa, Santos, em abril de 2015.
“Eu era chefe do setor de inspeção do trabalho. Lembro que a empresa operava com terceirizados e não obedecia às normas regulamentadoras”, diz a delegada do Sinait.
Não houve mortes, mas a fumaça pôde ser vista em cidades da região, que mandaram equipes de bombeiros para conter o fogo. A entrada do porto, pela via Anchieta, foi fechada.
Interdição em
silos no porto
Em 2024, também em abril, fiscais interditaram silos de concreto na margem direita do porto de Santos. Eles apresentavam irregularidades no armazenamento de grãos que poderiam causar incêndio ou explosão.
Em seu interior, a movimentação do produto forma nuvens de poeira combustível potencialmente explosivas. Os equipamentos e instalações elétricas não atendiam a requisitos de segurança.
Os operários desconheciam os perigos e portavam rádios não adequados para ambientes com atmosferas explosivas. Com a interdição, a empresa solucionou o problema.
Aumentar o
contingente
Desde 1956, o Brasil é signatário da convenção 81-1947 da OIT (organização internacional do trabalho). Ela recomenda a fiscalização constante das empresas para garantir segurança profissional.
A ‘nr’ 1-2022 reforça as medidas para eliminação de risco, adoção de proteções coletivas, individuais e canais de comunicação para os trabalhadores relatarem condições inseguras.
O Sinait defende que o fortalecimento da inspeção do trabalho, com aumento do contingente de auditores fiscais, seja compromisso do estado brasileiro para ambientes seguros.