A Fundação Casa de Cabangu, esta intimamente vinculada à história do município, e teve seu inicio, na realidade, no dia 23 de julho de 1932, data do falecimento de Alberto Santos Dumont. Neste dia, como forma de reverenciar e homenagear a memória do nosso ilustre conterrâneo, surgiu a idéia de se dar à Cidade de Palmyra o nome de Santos Dumont. Nasceu de uma palestra ligeira, e tão sincera e expre
ssiva era ela, que logo o povo de Palmyra em sua esmagadora e indiscutível unanimidade esposou-a, fazendo com que ela perdesse o seu patrono e fosse sobretudo e acima de tudo, uma idéia do povo do hoje município de Santos Dumont. O memorial solicitando a mudança do nome da cidade foi redigido pelo secretário da prefeitura, Sr. Castello Branco, assinado pelo Prefeito Jacques Gabriel Pansardi e levado, em mãos, ao Presidente do Estado de Minas Gerais, Dr. Olegário Dias Maciel, pelo grande homem público de nossa terra, responsável pela liderança política da cidade em seu período de maior desenvolvimento industrial, agropecuário, comercial e social, que foi o saudoso Deputado Dr. José Vieira Marques. Tamanha era a vontade da população em homenagear o seu filho maior, que já no dia 31 de julho de 1932, o jornal “O Sol”, trazia em sua manchete a frase: PALMYRA, BERÇO DE SANTOS DUMONT, POR VONTADE UNANIME DE SEU POVO VAI CHAMAR-SE - SANTOS DUMONT. Trazia também o Decreto 10.447 de mesma data, nos seguintes termos:
O presidente do estado de Minas Gerais, usando de suas atribuições, e considerando que o estado de Minas foi engrandecido por Alberto Santos Dumont, um dos mais ilustres de seus filhos, aquele que rasgou à civilização perspectivas novas; considerando que a irradiação de sua glória deve alcançar de maneira especial, a terra que lhe foi berço; resolve de acordo com o desejo expresso de sua população mudar para Santos Dumont, o nome da cidade e do município de Palmyra, onde nasceu o grande inventor agora desaparecido. Palácio de Presidência em Belo Horizonte
Olegário Maciel - Presidente
Gustavo Capanema - Secretário do Interior
Nesta semana, de grandes e borbulhantes modif**ações no Município, foi feita a primeira expedição de moradores da cidade à casa de Cabangu, entre eles o secretário Castello Branco, com objetivo de se recolher pertences de Santos Dumont, já com sonhos de se formar um futuro museu. Nesta empreitada foi recolhida farta documentação entre cartas, fotografias, objetos de uso pessoal, alem de dois bustos um em gesso e outro em bronze que fazem parte do atual acervo do museu. Nesta época, a prefeitura tinha planos de organizar um museu em suas dependências. No jornal “O Sol”, de 07 de agosto de 1932, o prefeito Jacques Pansardi solicita a todas as pessoas do município, e de municípios vizinhos, que possuam quaisquer objetos ou cartas referentes à Santos Dumont e que queiram prestar o seu concurso para melhor veneração do mineiro ilustre, enviar referidos objetos ou cartas para o Museu de Santos Dumont. Com o passar dos anos, com a ajuda da população, foi se formando um rico acervo, sob a guarda do Secretário Castello Branco, que mantinha toda a documentação e pertences de Santos Dumont, carinhosamente guardados em seu escritório residencial. Com o objetivo de preservar tal acervo, foi criada em 1949, a Fundação Casa de Cabangu, declarada de utilidade pública pelo decreto 3.069, assinado pelo Governador Milton Campos. A Fundação tem como sede e foro a cidade de Santos Dumont, é uma sociedade civil, de intuitos não econômicos, de duração ilimitada. Tem por finalidade congregar os brasileiros de boa vontade para promover por todos os meios e formas a proteção da casa onde nasceu, neste município de Santos Dumont, estado de Minas Gerais, a 20 de julho de 1873, o grande brasileiro Alberto Santos Dumont, conhecida por Casa de Cabangu. Durante longos anos, o grande trabalho realizado pela FUNCAB foi literalmente proteger a casa onde nasceu nosso grande conterrâneo, contra os rigores do tempo e as intempéries da natureza. Periodicamente, quando as obrigações profissionais e os deveres para com a criação e educação de sua numerosa família o permitia, Oswaldo Castello Branco, acompanhado de alguns abnegados amigos operários, se dirigiam para o Cabangu com a tarefa de fazer limpeza, capina e pequenos reparos na casinha. Certa ocasião, ocorreu uma surpresa desagradável. Devido à uma tempestade, parte do telhado da casa não resistiu e desabou provocando grande infiltração que se não fosse corrigida a tempo, a casa certamente viria à ruína. Não existia na época, recursos financeiros suficientes para fazer frente às despesas com a aquisição de telhas, que se faziam urgentes. Castello Branco, voltou à cidade, mandou que se retirasse parte das telhas que cobriam a varanda de sua residência e levou-as para serem usadas nos reparos que se faziam necessários. Sabemos que o preço de um ideal custa o sacrifício do idealista, assim como a qualidade do empreendimento faz-se avaliada pela profundidade de seu conteúdo, no bem que esparge e nas resistências com que suporta todas as forças que se lhe opõe. Foram muitas, as forças que se opuseram à criação do Museu de Cabangu, mas o idealismo, o amor à causa, a disposição para o trabalho e para a luta, fizeram com que os combatentes que perderam algumas batalhas, vencessem a “guerra”. Cabangu é hoje uma maravilhosa realidade, principal ponto turístico de nossa cidade, ao qual, temos a certeza, esta reservado um futuro de grandes realizações, proporcionando alegrias e felicidades ao nosso povo.