O Cultura na Cesta é um projeto social fruto de uma organização não governamental (ONG). Criado em agosto de 2005, une o basquete com educação e cultura, atendendo aproximadamente 70 crianças de 7 a 16 anos por semana no Cesarão e em Seropédica. Desde 2009, o projeto incluiu o “Ponto da Palavra”, que ajuda alunos com leituras e poesias.O Cultura na Cesta atende principalmente à comunidade do Cesar
ão, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Muito esquecida pelas autoridades, a região apresenta um alto índice de abandono , mas não podemos desistir dela. O Ponto da Palavra é um projeto de alfabetização que surgiu dentro do Cultura na Cesta. O serviço de educação pública é ruim em toda a cidade, mas principalmente na periferia. Com a aprovação automática, muitos de nossos meninos chegavam à adolescência sem boa leitura. Por isso, desenvolvemos essa atividade para integrar o esporte à educação, com mais leitura, mais poesia, mais arte. Definição Rose lopes
Quem gosta de basquete e cinema, provavelmente já assistiu ao filme “Treinador Carter – Treino para a Vida”, onde Samuel L. Jackson é um treinador de basquete numa escola em um violento bairro do subúrbio dos EUA, que usa do esporte como um meio de manter os jovens empenhados nos estudos. O filme foi baseado em uma história real e rendeu...
Porém, não é preciso ir tão longe para acreditar que ações ousadas como a do protagonista do filme são possíveis. Aqui mesmo, na comunidade do Cesarão, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, temos uma história similar. Há quase 10 anos, Wanderson Geremias, atleta e produtor cultural, iniciou um jogo contra a violência local. Cansado de perder vidas para o tráfico, WG criou sua estratégia: chamou a garotada pra treinar basquete, fundou a “ONG C3 – Cabeça, Corpo e Coração”, reforçou o time com educação e cultura, e partiu pra ação. Nessa partida contínua, além de praticar esporte, crianças e jovens, entre 7 e 16 anos, são auxiliados nos estudos e incentivados na prática de artes como a poesia, que entrou no time desde a criação do “Ponto da Palavra” – outro projeto que segue jogando juntinho. Esse reforço surgiu quando ele percebeu que não bastava somente o esporte, apesar de todos os benefícios que ele oferece, pois a educação que recebiam era insuficiente e a vasta quantidade de opções culturais que a cidade oferece não chegava à comunidade. Por isso, além da bola de basquete, os alunos usam lápis, caneta, livros e a própria voz, em aulas de ortografia e dicção; também visitam teatros, museus e outros centros culturais. Equilibrando a bola na caneta enquanto recitam poemas próprios, meninos e meninas representam com orgulho as cestas que essa cultura faz. São muitos pontos marcados e, mesmo sem recursos financeiros, o projeto já ganhou grande visibilidade, com participação em importantes eventos, torneios e saraus, entre os quais, podemos destacar desde 2013 as seguintes:
- Seminário Taller da Colônia de Sacramento, a convite da RIBE – Rede Internacional de Basquete Educativo, no Uruguai; - O Seminário Taller no Brasil, em Paraty, que foi trazido pelo “Cultura na Cesta” em parceria com a RIBE, com chancela da CBB e da Escola de Treinadores (ENTB); - Encontro da Cultura Urbana, na Escola SESC de Ensino Médio, em Jacarepaguá, onde foi gravada matéria para o programa Stadium; - Festival Internacional de Circo, onde o “Cultura na Cesta”, em parceria com o “Circo Crescer e Viver” que recebeu o Coletivo Nopok, assistido por mais de 150 crianças; - Desafio das Ligas 3x3, com transmissão ao vivo pela SPORTV; - Promoção da Casa Fenomenal da Nike, durante a Copa; - Programa Sem Censura, com Leda Nagle, onde estiveram por 2x falando sobre o projeto e Racismo; - Palestra na sede do Afro Reggae, sobre o racismo no esporte; - Abertura do “Jovens pela Paz” em parceria com NBR de Campos; - Mundial de basquete 3x3 no Aterro, com 120 alunos, em 3 dias de competição; - Agraciados por uma Clínica de Basquete com Leandro Barbosa e Gege (atletas profissionais da modalidade); - Abertura oficial da 3ª Olimpíada Estudantil, em Campos; - Sarau de ideias, da Rede Globo; - Quiosque da Globo; - Inauguração da Quadra da Mangueira, com apresentação do Cultura na Cesta e jogos 3x3; - Prêmio “Favela Criativa”, da Secretaria de Estado de Cultura do RJ; - Prêmio “Ações Locais”, da Secretaria Municipal de Cultura; - Abertura do “Jovens pela Paz”, em Campos; entre outros. Atualmente o projeto atende a 70 jovens, não só do Cesarão como de diversas comunidades vizinhas: Antares, Favela do Aço, Três Pontes, Rola I e II, entre outras. As mães preocupam-se com a educação e o futuro dos filhos e por isso dão todo apoio ao projeto. Tanto trabalho não poderia ter resultado melhor. Vários alunos, que já tiveram suas vidas afetadas pela violência, hoje seguem mais fortes e preparados para a vida. Rafaela Nunes (15 anos), por exemplo, disse que já não se preocupa mais com os tiros na favela - ocupa sua cabeça com as aulas e se ali desenvolve; escreveu até um livro de poesias. “A poesia toca o coração e muda pessoas”, disse ela. Alguém ainda duvida do poder transformador dessa ação? Daria um filme, mas é bem melhor que isso...
Por: Rose Lopes.