22/11/2024
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CAMINHADAS AFRICANAS E DESENVOLVIMENTO SOCIAL
Setembro e outubro 2024. Envolventes caminhadas africanas, em 3 países de 3 das 5 regiões do continente: África Austral com Moçambique (cidades de Maputo e Beira), Oeste Africano na Guiné-Bissau (capital Bissau) e enfim a África Central no Chade (cidades de N’Djamena e Bongor). Estou realizando como consultor uma avaliação de um projeto de proteção social voltado para as populações de comunidades urbanas e rurais. Nesses territórios, a organização de solidariedade internacional ESSOR, com o apoio da AFD, desenvolve há anos um programa que visa fortalecer organizações locais no atendimento às pessoas e famílias mais vulneráveis, viabilizando e facilitando a orientação, o acompanhamento e o acesso à serviços de educação, saúde, formação profissional e geração de renda, apoio jurídica e assistência social.
No coração do dispositivo, encontram-se os chamados Balcões de Informação, Orientação Social e Profissional (BIOSP), que articulam a população com os serviços sociais, públicos e não governamentais, existentes nos territórios. A maioria desses balcões está implementada em bairros populares, sendo coordenados por associações comunitárias, mas há também os BIOSP móveis que funcionam como brigadas itinerantes e percorrem as comunidades mais afastadas com veículos equipados e profissionais. O trabalho tem uma forte incidência por exemplo sobre o registro de nascimento de pessoas que nunca foram declaradas, uma situação que atinge mais de um terço da população nesses países.
Meu trabalho, baseado numa abordagem participativa e realista, consistiu em acompanhar o trabalho durante uma semana em cada lugar e encontrar os diversos atores e atrizes, com a realização de grupos de discussão, entrevistas, visitas, workshops, e participação em atividades comunitárias. Para tentar entender quais resultados são produzidos por um mesmo dispositivo, o BIOSP, em contextos diferentes, e em quais condições. Colhi dados e depoimentos, desenvolvi pesquisas, e dialoguei diretamente com 280 pessoas desses 3 países. No Chade, o trabalho ocorreu em um contexto de crise humanitária, provocada por chuvas e inundações catastróficas que levaram ao deslocamento de grande parte da população em acampamentos improvisados. As fotos aqui apresentadas são desta terceira e última etapa da minha viagem, no Chade.
Minhas andanças nos territórios e no convívio com as populações e os diversos atores e atrizes locais me deixaram sensações e sentimentos profundos, não só sobre esse programa da ESSOR e dos seus parceiros e sobre esse dispositivo BIOSP, ambos muito valiosos, mas também sobre os passos do mundo, da África e da própria humanidade.
Voltei com convicções cada vez mais enraizadas, que dizem respeito ao ritmo desenfreado das mudanças climáticas, ao aumento das desigualdades e ao enfraquecimento das democracias. Mas também reforcei minha consciência do papel fundamental da sociedade civil organizada nas suas mais diversas formas e esferas de atuação, na resistência e no fomento da esperança. A construção de alternativas depende dela (a sociedade civil organizada) e da sua capacidade em aumentar seu poder “glocal”, com incidência do local ao global. Também volto convencido que no centro desta construção, estão elas, as mulheres!
Damien Hazard, da coordenação da Vida Brasil
Texto e fotos
DÉAMBULATIONS AFRICAINES ET DÉVELOPPEMENT SOCIAL
Septembre et octobre 2024. Captivantes déambulations africaines, dans 3 pays de 3 des 5 régions du continent : Afrique australe avec le Mozambique (villes de Maputo et Beira), Afrique de l'Ouest en Guinée-Bissau (capitale Bissau) et enfin Afrique centrale au Tchad ( villes de N'Djamena et Bongor). En tant que consultant, je réalise une évaluation d'un projet de protection sociale destiné aux populations de communautés urbaines et rurales. Dans ces territoires, l'organisation de solidarité internationale ESSOR, avec le soutien de l'AFD, développe depuis des années un programme qui vise à renforcer les organisations locales au service des personnes et des familles les plus vulnérables, en permettant et en facilitant l'orientation, le suivi et l'accès aux services éducatifs. , santé, formation professionnelle et génération de revenus, soutien juridique et assistance sociale.
Au cœur du dispositif se trouvent les Bureaux d'Information et d'Orientation Sociale et-Professionnelle (BIOSP), qui mettent en relation la population avec les services sociaux, publics et non gouvernementaux, existant sur les territoires. La plupart de ces guichets sont implantés dans les quartiers populaires, coordonnés par des associations communautaires, mais il existe également des BIOSP mobiles qui fonctionnent comme des brigades itinérantes et se déplacent vers les communautés plus éloignées avec des véhicules équipés et des professionnels. Le travail a un fort impact, par exemple, sur l’enregistrement des naissances de personnes qui n’ont jamais été déclarées, une situation qui touche plus d’un tiers de la population de ces pays.
Mon travail, basé sur une approche participative et réaliste, a consisté à suivre l’intervention pendant une semaine dans chaque lieu et à rencontrer les différents acteurs et actrices, dans le cadre de groupes de discussion, d’entretiens, de visites, d’ateliers et de participation à des activités communautaires. Essayer de comprendre quels résultats sont produits par un même dispositif, le BIOSP, dans des contextes différents, et dans quelles conditions. J'ai collecté des données et des témoignages, développé des enquêtes et parlé directement avec 280 personnes de ces 3 pays. Au Tchad, les travaux se sont déroulés dans un contexte de crise humanitaire, provoquée par des pluies catastrophiques et des inondations qui ont entraîné le déplacement d'une grande partie de la population dans des camps improvisés. Les photos présentées ici sont issues de cette troisième et dernière étape de mon voyage, au Tchad.
Mes déambulations dans les territoires et au contact des populations et des différents acteurs et actrices locales m'ont laissé des sensations et des sentiments profonds, non seulement sur ce programme ESSOR et ses partenaires et sur ce dispositif BIOSP, tous deux très précieux, mais aussi sur l’évolution du monde, de l'Afrique et de l'humanité elle-même.
Je suis revenu avec la confirmation de convictions de plus en plus enracinéees, qui concernent le rythme effréné des changements climatiques, l'augmentation des inégalités et l'affaiblissement des démocraties. Mais j'ai également renforcé ma conscience du rôle fondamental de la société civile organisée dans ses formes et ses sphères d'action les plus diverses, pour la résistance et l’alimentation de l'espoir. La construction d’alternatives en dépend, de cette capacité de la société civile organisée à accroître son pouvoir « glocal », avec une incidence du local au global. Je reviens aussi convaincu que les femmes sont au centre de cette construction !
Damien Hazard, de la coordination de Vida Brasil
(texte et photos)