GCAC Brasil - Salvador

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O assassinato de Mestre Moa foi um dos marcos mais tristes da Capoeira. Aquilo que lhe tirou a vida opera primeiro em um...
16/05/2026

O assassinato de Mestre Moa foi um dos marcos mais tristes da Capoeira. Aquilo que lhe tirou a vida opera primeiro em um território invisível, no íntimo oculto do ser. Corrói a capacidade de sentir humanidade no outro e naturaliza a ideia de que vidas podem ser mortificadas. Substitui a reflexão pelo delírio e a violência deixa de ser marca do fracasso humano para ser cultuada como símbolo de força. Mestre Pastinha nos transmitiu a seguinte sabedoria: “destruir é ser covarde, é mostrar sua fraqueza”. Há fragilidade escondida nessa covardia, seja por pobreza afetiva, solidão comunitária ou por medos infantis escondidos na máscara da brutalidade. E a Capoeira Angola recusa esse caminho. Ela cria, ao contrário, uma disciplina do corpo e do afeto: uma arma perigosa posta a serviço da solidariedade, forjada pela ordem da vida cotidiana para defender a liberdade, a dignidade, a memória e a camaradagem. Mestre Pastinha ensina ainda: “A luta provida pelo puro egoísmo é violenta, feroz e brutal. Ao contrário, a simpatia é que a ilumina”. Seu discípulo, Mestre João Pequeno, mergulhou mais fundo quando disse que o capoeirista não precisa bater. O verdadeiro domínio está justamente na capacidade de levar o golpe até o limite e freá-lo, porque quem vê entende: “ele não bateu porque não quis”. É nessa fineza que reside a nossa ética. Força não é ausência de controle, mas exatamente sua presença. Violência não é o mesmo que luta, ainda que, durante a luta, a agressividade possa se fazer necessária. Nossa Capoeira exige astúcia, análise, reflexão, comedimento e escuta. É reconhecer o outro como potencial companheiro necessário à própria existência da capoeira. Não há capoeira solitária, assim como não há capoeira sem mestre. Sem pergunta e resposta, resta apenas a secura, a deselegância, uma vida empobrecida. A capoeira não pode se prestar à morte, ao genocídio, de onde quer que venha, mas abrir caminhos para que a vida floresça, em sua plena exuberância, como floresceu Mestre Moa neste mundo!

📸 Fotografia do acervo do GCAC. Roda no Vale das Árvores, Cabula, com o Mestre Barba Branca e Mestre Moa do Katendê (2006). No momento, Mestre Moa cantava a ladainha "Igreja do Bonfim".

Hoje, o treino aconteceu no espaço aberto, sob a orientação de nossa grande amiga Mestra Nani, discípula e neta de Mestr...
14/05/2026

Hoje, o treino aconteceu no espaço aberto, sob a orientação de nossa grande amiga Mestra Nani, discípula e neta de Mestre João Pequeno de Pastinha, de quem herdamos a nossa linhagem. A convite de Mestre Saúva, a Mestra nos presenteou com uma aula maravilhosa, especialmente para as crianças, que puderam aprender, de forma intensa e ao mesmo tempo lúdica, muitos dos fundamentos e segredos da Capoeira Angola. Também não podemos deixar de destacar o papel fundamental que as visitas de Mestra Nani exercem na vida das garotas do Grupo de Capoeira Angola Cabula. Ao presenciarem a força, a beleza e a graciosidade de sua capoeira, elas encontram inspiração para compreender, cada vez mais, que não há limites para o lugar da mulher na Capoeira Angola. Que dessa inspiração floresçam preciosas mestras dessa nossa família!!! ❤️ Mestra Nani, seja sempre bem vinda e volte sempre! A casa é sua! Viva o CECA de Mestre João Pequeno de Pastinha!

Na fotografia, a papoeira dos velhos mestres, onde metade do aprendizado e da mágica acontece. Enquanto cultura oral, es...
13/05/2026

Na fotografia, a papoeira dos velhos mestres, onde metade do aprendizado e da mágica acontece. Enquanto cultura oral, esses espaços informais fora da roda da capoeira angola, na conversa descontraída, no fluir das antigas memórias, nas costuras dos causos e dos mistérios da vida, são os momentos em que muitos ensinamentos são transmitidos e quando muita articulação é feita e desfeita. Esses momentos se desenrolam numa temporalidade peculiar, onde cada palavra dos mestres é emaranhada com muita calma, cuidado e também mandinga. Na imposição de uma velocidade frenética da vida moderna e de uma sobrecarga de trabalho massante numa escala 6x1, acham que estes momentos estão ficando cada vez mais raros e mais rasos? Sempre que essa reflexão vinha ao nosso grupo, Mestre Barba Branca prontamente nos dizia: "o mais devagar que você conseguir fazer, ainda está rápido", nos mostrando que quem anda acelerado só vê o vulto da vida passar, não sente os pequenos milagres da vida, não se conecta, esmorece o sorriso e acinzenta os próprios laços comunitários, tão caros à nossa capoeira angola. Da esquerda para a direita: Mestre Mala, Mestre Barba Branca e Mestre Moa.

📸 Fotografia digitalizada do acervo material do Grupo de Capoeira Angola Cabula - GCAC .

No finalzinho da pandemia, Mestre Saúva conseguiu organizar uma visita de Mestre Eletricista ao GCAC, no Cabula, para um...
10/05/2026

No finalzinho da pandemia, Mestre Saúva conseguiu organizar uma visita de Mestre Eletricista ao GCAC, no Cabula, para uma roda de conversa muito preciosa. Eletricista era amigo e contemporâneo de Mestre Barba Branca no Centro Esportivo de Capoeira Angola - CECA. Os dois juntos eram os guardiões da roda de Mestre João Pequeno e eram costumeiramente convocados pelo próprio João a acabar com qualquer confusão ou fazer esmorecer o ímpeto de qualquer valentão que viesse a perturbar a paz da roda de capoeira. Mestre Eletricista, quando questionado se lembrava como foi a chegada de Barba Branca ao CECA, nos relatou que "ele já tinha chegado capoeirista, por já ter influência de vários outros velhos mestres", como Zacarias Boa Morte, Bobó e Mário Bom Cabrito, além do finado Traíra. E finalizou dizendo algo neste sentido: "Barba Branca sempre teve muita fome de aprender mais capoeira, de se aprimorar, de buscar sempre as maiores referências; depois que Traíra morreu, ele girou, girou, girou e veio bater lá no CECA. Sabe por que? Porque ele percebeu que Mestre João Pequeno era o maior de todos"! E lá Barba Branca ficou até se tornar mestre. Nas palavras do próprio Barba Branca, foi o Mestre João Pequeno quem o lapidou. Para nós, Mestre João Pequeno não só lapidou e formou nosso Mestre Barba Branca. Ele foi o farol que guiou todo o nosso ritual de como ensinar capoeira, de como conduzir uma roda, de como se portar diante do mundo e de como se pensar a capoeira angola. E são esses os trilhos que continuamos seguindo sob as orientações de nosso Mestre Saúva, a quem Barba Branca confiou a missão de continuar mantendo vivo o seu legado do GCAC!

Os velhos mestres em seus ternos brancos da Associação Brasileira de Capoeira Angola - ABCA. Vadiando na roda, Mestre Bi...
09/05/2026

Os velhos mestres em seus ternos brancos da Associação Brasileira de Capoeira Angola - ABCA. Vadiando na roda, Mestre Bigodinho (à esquerda) e Mestre Barba Branca (à direita). Quem conhecia Mestre Barba Branca de perto sabia a sua admiração pela musicalidade da família de Mestre Waldemar, onde começou a capoeira. Suas ladainhas prediletas, como Pedro Cem e Valente Vilela, foram icônicas criações de Waldemar a partir de adaptações dos folhetos dos grandes cordelistas Leandro Gomes de Barros ou João Martins de Athayde. A forma como Barba Branca brincava com a melodia estendendo-as entre a métrica dos versos da ladainha, assim como faziam Waldemar, Traíra e Bigodinho, era a sua assinatura como iniciado na capoeira da Liberdade. "Tem gosto de infância", brincava ele. Com a partida de Waldemar e Traíra, Mestre Bigodinho era, para Barba Branca, o grande cantador representante da capoeira da Liberdade. Ouvia com muita admiração o Mestre Bigodinho cantar e reproduzia muitas de suas ladainhas nas rodas do GCAC, no Cabula, como as canções "Quando vê cobra assanhada"; "Minha gente ouvi dizer, minha gente ouvi falar"; "Na Ladeira do Pelourinho"; "Gravata de boi é canga"; "Maria diz que não come", dentre outras ladainhas e corridos. Não era incomum visitarmos o Mestre Barba Branca em sua casa e nos depararmos com um disco compacto de Mestre Bigodinho, dado de presente pelo próprio, fervendo de tanto repetir em seu aparelho de som. Para além da admiração, nutriam uma grande amizade. Certa feita, andávamos com Mestre Barba Branca pela Maciel de Cima quando, da esquina, uma figura pequena surgiu de não sabemos onde. A figura havia marcado, mas sem bater, uma cabeçada no peito de Barba Branca. Era Mestre Bigodinho pregando uma peça, que interrompeu logo o susto de todos perguntando com um sorriso: "Cadê esse carborongo, Barba Branca"? A cena terminou em risadas e num forte abraço entre os dois! Bigodinho retornou à capoeira em 1997 a convite de Mestre Barba Branca. Faleceu em abril de 2011.

Capoeira Angola também é pesquisa, escuta, pergunta e resposta. Mestre Saúva conta a história da capoeira para as crianç...
07/05/2026

Capoeira Angola também é pesquisa, escuta, pergunta e resposta. Mestre Saúva conta a história da capoeira para as crianças do Grupo de Capoeira Angola Cabula! "É preciso saber falar sobre capoeira", nos alerta sempre o nosso mestre.

📸 Fotografia do acervo digital do GCAC.

Legados preciosos de Mestre João Pequeno de Pastinha: Mestre Barba Branca e Mestra . Mestra, neta, mãe e avó, combinadas...
07/05/2026

Legados preciosos de Mestre João Pequeno de Pastinha: Mestre Barba Branca e Mestra . Mestra, neta, mãe e avó, combinadas numa só! Roda que vem estaremos lá! ✊️

📸 Fotografia digitalizada do acervo material do GCAC. Autoria do registro: Ada Luz.

Da esquerda para a direita, Mestre Mala, Mestre Zé do Lenço, Mestre Barba Branca e Mestre Diogo. A fotografia foi realiz...
06/05/2026

Da esquerda para a direita, Mestre Mala, Mestre Zé do Lenço, Mestre Barba Branca e Mestre Diogo. A fotografia foi realizada em evento do Grupo de Capoeira Angola Cabula na década de 90, que realizava suas atividades no Terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá. Por ser um evento do grupo, todos os mestres da fotografia usavam camisa comemorativa com o símbolo do GCAC. À época, Mestre Mala era diretor da Associação Brasileira de Capoeira Angola - ABCA, Mestres Zé do Lenço e Diogo eram os fundadores da Associação de Capoeira Angola Relíquia de Espinho Remoso (Mestre Zé do Lenço segue firme com seu trabalho até os dias de hoje) e Mestre Barba Branca fundador do GCAC e presidente da ABCA. Os mestres na fotografia sempre foram muito amigos de Barba Branca, amizade esta que até hoje mantemos viva. O carinho de Mestre Barba Branca, sobretudo com os Mestres Zé do Lenço e Diogo, o acompanharam até os últimos dias de sua vida. Mesmo muito debilitado e próximo de fazer a sua passagem, Mestre Barba Branca, já no leito do hospital, pedia sempre notícias de Mestre Zé do Lenço e procurava saber de seus alunos se andava tudo bem com o seu amigo. Apesar de Mestre Diogo ter falecido muitos anos antes de Barba Branca, éramos constantemente levados a visitá-lo em sua venda no Bom Juá, quando ouvíamos histórias preciosas sobre a capoeira. Admirávamos muito a elegância da capoeira de Mestre Diogo e a exímia habilidade com que usava os espaços da roda. Mestre Diogo era capaz de jogar capoeira somente se movimentando nos espaços da roda, sem dar um único golpe, e "colocar no bolso" o parceiro com quem jogava! E Barba Branca então nos dizia: "a roda de capoeira é formada por vários círculos"! São os encantamentos e feitiços dos velhos mestres, tão raros de encontrar nos dias de hoje. Mestre Zé do Lenço, por sua vez, nunca faltava uma roda do GCAC e sempre nos agraciava com suas cantorias e histórias! Foi um grande parceiro de Barba Branca em muitas viagens pela capoeira. Vida longa ao GCAC e às Relíquias de Espinho Remoso!

📸 Fotografia digitalizada do acervo material do Grupo de Capoeira Angola Cabula - GCAC.

Alcançamos 1000 pessoas caminhando junto com a gente.Cada seguidor representa energia, apoio e continuidade da nossa cul...
02/05/2026

Alcançamos 1000 pessoas caminhando junto com a gente.
Cada seguidor representa energia, apoio e continuidade da nossa cultura.
A capoeira angola é ancestralidade viva, e vocês fazem parte disso.
Nosso muito obrigado!
Seguimos juntos, gingando e resistindo.
Axé sempre!
CulturaPopular Resistência

Quando falamos da continuidade de um legado, não estamos falando apenas de sucessão, mas de compromisso, força e presenç...
02/05/2026

Quando falamos da continuidade de um legado, não estamos falando apenas de sucessão, mas de compromisso, força e presença. Mestre Saúva construiu seu caminho no Grupo de Capoeira Angola Cabula muito antes de assumir sua condução. Ainda como aluno, já demonstrava algo que vai além do simples jogar: uma atenção profunda aos rituais da capoeira angola, ao cuidado com os detalhes e fundamentos e uma responsabilidade ímpar com o grupo. Observava, aprendia e agia, sempre de seu jeito quieto e tranquilo, sem esmorecer. Ajudava na organização de eventos, apoiava o Mestre na formação de novos alunos, articulava diálogos com capoeiristas da velha guarda, fazia o diálogo com is núcleos GCAC em outros países, cuidava dos instrumentos, da limpeza dos espaços, dos fardamentos, das finanças... sustentava, na prática, a vida do grupo de capoeira como o braço direito do Mestre Barba Branca. Esse compromisso diferenciado, guiado pelo amor à capoeira angola e pelo profundo respeito ao seu mestre, fez de Saúva uma referência interna no GCAC, reconhecida de forma natural e orgânica pela própria comunidade, que já o via como um provável sucessor diante do contexto de rápido adoecimento de Mestre Barba Branca. Antes de seu falecimento, foi ao Mestre Saúva que Barba Branca expressamente confiou a continuidade do GCAC. Assumir um legado dessa dimensão não é simples, exige ética, respeito à memória e responsabilidade, além de muita força para não desviar a trajetória diante dos obstáculos e das forças que se mobilizam quando um grande mestre faz a sua passagem. E Mestre Saúva tem honrado esse chamado com firmeza, sensibilidade e maestria, mantendo viva a tradição legada pelo nosso mestre fundador! O GCAC e todos os seus alunos e alunas agradecem pelo seu compromisso, esforço e amizade! Um viva ao nosso Mestre Saúva e à nossa familia de capoeira!

📸 Fotografia feita pelo diretor do documentário "Brotou coco da raiz: o legado de Mestre Barba Branca", Léo Lopes. Na imagem, o Mestre Saúva, à esquerda, entrevista o discípulo direto de Mestre Waldemar, o Mestre Del, em frente à casa onde aconteciam as rodas de Mestre Sete Molas, no bairro da Liberdade.

Um abraço de milhões! ❤️
01/05/2026

Um abraço de milhões! ❤️

Endereço

Cabula
Salvador, BA
41180400

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