16/01/2024
FRANCISCO, JOANNA E O ESPIRITISMO
“- Já não dissestes, um dia, Mestre, que cada qual tomasse a sua cruz e vos seguisse?
- Mas prometi ao mundo um Consolador em tempo oportuno!...
E os olhos claros e límpidos, postos na visão piedosa do amor de seu Pai Celestial, Jesus exclamou:
- Se os vivos nos traíram, meu Discípulo Bem-Amado, se traficam com o objeto sagrado da vossa casa, profligando a fraternidade e o amor, mandarei que os mortos falem na Terra em meu nome. Deste Natal em diante, meu João, descerrarás mais um fragmento dos véus misteriosos que cobrem a noite triste dos túmulos para que a verdade ressurja das mansões silenciosas da Morte. Os que já voltaram pelos caminhos ermos da sepultura retornarão à Terra para difundirem a minha mensagem, levando aos que sofrem, com a esperança posta no Céu as claridades benditas do meu amor!...
E desde essa hora memorável, há mais de cinquenta anos*, o Espiritismo veio, com as suas lições prestigiosas, felicitar e amparar na Terra a todas as criaturas”.1
Mas para tanto, atendendo aos apelos amorosos do Mestre Inolvidável, João Evangelista, a quem o Cristo, do alto da cruz verecunda confiou, dali em diante, os cuidados da sua Mãezinha Santíssima na Terra, mobilizou as cortes celestes para a vinda do Espiritismo ao mundo: “O teu embaixador Allan Kardec foi escolhido dentre os teus para nos ajudar na restauração, colocando Jesus Cristo no píncaro de nossas mais profundas aspirações.” 2
Antes, o Apóstolo do Amor voltara à Terra, na cidade de Assis, para reacender as lições do Crucificado, envolto na simplicidade do Cristianismo verdadeiro, então deturpado, e ainda hoje, tão incompreendido. O Pobrezinho de Assis foi o êmulo perfeito do próprio Mestre: “Francisco transformou-se no Sol de Assis, que passou a iluminar toda a Terra. Depois de Jesus, ninguém que o iguale, e mesmo antes d’Ele.” 3, como nos traz a Benfeitora Joanna de Ângelis que, como Clara de Assis, seguiu fielmente os seus passos na Úmbria formosa.
Conhecedora das lições do Mestre, cristã das primeiras horas, desde Joana de Cusa, após o seu desenlace como a intimorata Joana Angélica de Jesus, Mártir da Idependencia da Bahia, participa da vinda do Consolador prometido, onde se faz presente nas mensagens de O Evangelho Segundo o Espiritismo, como “Um Espírito Amigo”, programando também a realização da obra de amor e educação de almas - Mansão do Caminho - na mesma Bahia de outrora, conduzida na Terra pelos seus filhos amados Divaldo Pereira Franco e Nilson de Souza Pereira, em missões de divulgação incansável da Doutrina Espírita e exemplificação abundante do amor ao próximo, com aval de Jesus e sob os auspícios de Francisco, sob uma condição essencial: nunca fechar as portas aos mais necessitados, prosseguindo assim há 70 anos.
E nesses dias de angústia, medo e ansiedade em que o materialismo ainda domina as paisagens terrenas, entorpecendo os nossos sentidos, pedimos licença para rogarmos uníssono com a Benfeitora Querida: “Volta, Pai Francisco**, tem misericórdia de nós, e conduze-nos à pequenina Porciúncula onde deixaste os teus despojos, naquele dia longínquo e próximo, de outubro de
1226, pois que todos necessitamos de ti!” 4
Assim seja!
Ulisses Bezerra
04 de outubro de 2022
Notas de rodapé
*Obra escrita em 1937
**Após a sua libertação do exílio na ilha de Patmos, aconselhado pelos guardas romanos, para evitar novas perseguições, João Evagelhista adota o nome de Franscisco, ou Pai Francisco, como passou a ser carinhosamente chamado pelos seus tutelados mais próximos.
Referências Bibliográficas
1 - XAVIER, Chico; CAMPOS, Humberto (Espírito). Crônicas de Além-Túmulo.
17. ed. Rio de Janeiro:FEB, 2014, cap. 15, A Ordem do Mestre.
2 - FRANCO, Divaldo; ÂNGELIS, Joanna (Espírito). Vidas Vazias. 1.ed. Salvador:LEAL, 2020, cap. Exoração Hodierna.
3 - FRANCO, Divaldo; SAID, Cezar Braga. Francisco, o Sol de Assis. 1. ed. Salvador:LEAL, 2014, Francisco, o Sol de Assis, p.6
4 - FRANCO, Divaldo; ÂNGELIS, Joanna (Espírito). Jesus e Vida. 2. ed Salvador: LEAL,2016, cap. Oração de São Francisco, p.99