03/02/2026
R$ 0,43 o m²/dia.
Um baita negócio.
Negócio da China!
R$ 0,43/dia
O M² mais barato do mundo.
A Amabarra - SOS Barra, com base em matérias públicas (divulgadas na mídia) e informações oficiais da Superintendência do Patrimônio da União na Bahia-SPU, fez uma análise sobre o quanto é vantajoso para alguns camarotes, realizarem seu carnaval indoor, ocupando áreas públicas.
O texto é longo mas vale a pena a informação e cabe a reflexão.
A SPU, conforme placa fixada no empreendimento, permitiu ao Camarote Salvador, da Premium Produções, a ocupação da praça Luiz Sande e entorno, na beira mar de Ondina.
De acordo com o descrito, pelo período de 89 dias (isso mesmo!), ou seja os 3 meses do verão, o camarote tem a permissão de usar aquela área pública, para seus fins comerciais.
Por essa concessão, foi estabelecido o pagamento aos cofres da união, o valor de RS 493.630,18.
Divididas em áreas, o camarote pode usar a praça e seus arredores. Na divisão oficial foi determinado às seguintes medidas:
Área 1: 8.063,02 m²
Área 2: 1.992,47 m²
Área 3: 1.345,02 m²
Área 4: 1.629,6 m²
Total:
13.030,11 m² de área pública.
Fazendo uma conta simples, chegamos a seguinte conclusão;
Área total: 13.030,11 m²
Valor pago apresentado : R$ 493.630,18
Então, em média, o uso dessa área custou cerca de R$ 37,88 por metro quadrado.
Se dividirmos esse valor pelo número de dias da concessão, chegamos ao negócio da China (já explicaremos).
Período de autorização: 89 dias (10/12/2025 a 08/03/2026).
Custo por m² por dia:
Ou seja, aproximadamente R$ 0,43 por metro quadrado por dia.
Segundo reportagem, a própria CEO do Camarote Salvador informou que a expectativa é que o evento movimente cerca de R$ 150 milhões na economia do Carnaval, contando com ingressos, hospedagem, transporte e serviços relacionados, segundo a previsão da organização.
É importante destacar que esse número de R$ 150 milhões se refere ao impacto econômico/receita bruta gerada pela operação como um todo, não ao lucro líquido da empresa promotora. O lucro real depende de custos com produção, artistas, estrutura, equipe, fornecedores, impostos etc., e esses números raramente são divulgados detalhadamente pela organização.
Projeções de receita/impacto econômico do Camarote Salvador:
Movimentação econômica local:
Algumas fontes na mídia indicam que o Camarote Salvador pode movimentar cerca de R$ 150 milhões na economia baiana durante o Carnaval, considerando gastos com ingressos, hospedagem, transporte, alimentação, serviços e outros itens associados ao evento.
Expectativa de crescimento:
Outros relatos mencionam uma projeção de movimentar cerca de R$ 160 milhões, com crescimento em relação ao ano anterior e uma participação maior de patrocinadores e públicos.
Esses valores representam movimentação total na economia local atribuída ao camarote, o que inclui gastos dos foliões e atividades correlatas, e não necessariamente o lucro líquido da empresa organizadora.
Ou seja, quando a mídia fala em R$ 150 milhões ou R$ 160 milhões, normalmente está se referindo a impacto econômico total ou receita bruta estimada, não ao lucro efetivo da empresa promotora.
Deixando claro que isso não é o lucro líquido declarado.
Quanto disso vira receita do Camarote?
Em eventos desse porte, o padrão de mercado costuma ser:
Receita direta do organizador de 30% a 40% da movimentação econômica total
(o resto f**a com hotéis, artistas, logística, impostos, fornecedores externos)
Usando o valor mais conservador:
30% de R$ 150 milhões ≈ R$ 45 milhões de receita bruta.
Usando um cenário mais otimista:
40% de R$ 160 milhões ≈ R$ 64 milhões de receita bruta.
Faixa estimada de receita bruta do Camarote Salvador:
entre R$ 45 milhões e R$ 64 milhões
Custos típicos de um camarote premium
Em eventos de grande porte no Brasil, os custos costumam consumir:
60% a 75% da receita bruta, incluindo:
artistas e atrações,estruturas (montagem, desmontagem, passarela, climatização, banheiros, energia), segurança, limpeza, staff,
impostos, taxas e autorizações, marketing e operação.
Estimativas em cenários:
Estimativa de lucro líquido (cenário realista):
Receita: R$ 45 milhões
Custos: 75% → R$ 33,75 milhões
Lucro líquido estimado: R$ 11,25 milhões
Cenário intermediário:
Receita: R$ 55 milhões
Custos: 65% → R$ 35,75 milhões
Lucro líquido estimado: RS 19,25 milhões
Cenário Otimista:
Receita: R$ 64 milhões
Custos: 60% → R$ 38,4 milhões
Lucro líquido estimado: ≈ R$ 25,6 milhões
Conclusão:
Com base em dados divulgados pela mídia e parâmetros usuais do setor de eventos, é razoável estimar que o Camarote Salvador tenha:
Lucro líquido projetado entre R$ 11 milhões e R$ 25 milhões nesta edição do Carnaval.
Uso de área pública:
Área total autorizada: 13.030,11 m²
Período: 89 dias
Valor pago à Prefeitura: R$ 493.630,18
Lucro líquido projetado: entre R$ 11 milhões e R$ 25 milhões
Quanto do lucro “corresponde” ao que foi pago pela área pública?
Cenário conservador
Lucro: R$ 11.000.000,00
Valor pago : R$ 493.630,00
O pagamento pelo uso da área pública representa apenas 4,48% do lucro.
Cenário intermediário
Lucro: R$ 19.000.000
Pagamento equivale a 2,6% do lucro.
Cenário otimista
Lucro: R$ 25.000.000,00
Pagamento equivale a 1,97% do lucro.
Em todos os cenários, menos de 5% do lucro estimado retorna ao poder público como contrapartida pelo uso da área.
Comparação diária: lucro × valor pago por dia:
Valor pago por dia (já calculado)
R$ 5.547,53 por dia
Lucro diário estimado
Cenário Lucro total Lucro por dia (89 dias)
Conservador R$ 11 mi R$ 123.595/dia
Intermediário R$ 19 mi R$ 213.483/dia
Otimista R$ 25 mi R$ 280.899/dia
Comparação direta:
Para cada R$ 1 pago por dia à Prefeitura, o camarote pode lucrar entre:
R$ 22 (cenário conservador)
R$ 38 (intermediário)
R$ 50 (otimista)
Comparação por metro quadrado:
Custo público
R$ 37,88 por m² (valor total)
R$ 0,43 por m² por dia
Lucro estimado por m² (no período)
Cenário Lucro por m²
Conservador: R$ 844 por m²
Intermediário:R$ 1.459 por m²
Otimista: R$ 1.919 por m²
Ou seja:
O município recebe R$ 37,88 por m²
O explorador privado pode lucrar de R$ 844 a R$ 1.919 por m²
Resumindo:
Com base em dados oficiais de área e prazo, e em projeções divulgadas pela própria organização à imprensa, o Camarote Salvador pode obter lucro líquido entre R$ 11 milhões e R$ 25 milhões, enquanto paga R$ 493 mil pelo uso de 13 mil m² de área pública por 89 dias.
Isso signif**a que o poder público recebe menos de 5% do lucro estimado, cerca de R$ 5,5 mil por dia, enquanto o empreendimento pode lucrar entre R$ 123 mil e R$ 280 mil por dia.
ÁREA PÚBLICA, LUCRO PRIVADO: QUEM PERDE COM ISSO?
Durante 89 dias, em pleno verão e férias escolares, mais de 13 mil m² de área pública na orla da Barra f**am ocupados por uma estrutura privada de camarote.
Pelo uso dessa área, que pertence a todos, foi pago cerca de R$ 493 mil, o que equivale a R$ 5,5 mil por dia ou R$ 0,43 por metro quadrado/dia.
Ao mesmo tempo, segundo projeções divulgadas na própria mídia, o empreendimento pode alcançar lucro estimado entre R$ 11 milhões e R$ 25 milhões nesta edição do Carnaval.
Ou seja:
o poder público recebe menos de 5% do lucro estimado, enquanto a cidade arca com os impactos.
E quem paga essa conta invisível?
Os moradores, que perdem o direito de usufruir de uma área pública estratégica, justamente no período de maior uso da orla.
Os trabalhadores da praia, que enfrentam:
dificuldade de acesso de clientes,redução do fluxo de pessoas, queda no faturamento em pleno verão.
A paisagem urbana, com obstrução da vista da praia, descaracterização do espaço e privatização visual do litoral.
A vizinhança, que sofre com: barulho, poeira, transtornos da montagem e desmontagem da megaestrutura e impactos prolongados por quase três meses.
Essa conta é justa ? F**a a pergunta para a reflexão.
Aqui nem vamos abordar o TAC, que a Prefeitura de Salvador fez com o Camarote, na recomposição dos espaços públicos e também no prazo de desmontagem. Isso é assunto para outra pauta.
Saiba mais:
Signif**ado: “negócio muito lucrativo, maravilhoso”. A expressão se originou das viagens de Marco Polo ao Oriente, no século XIII. Com a divulgação de sua narrativa, a China ficou conhecida como uma terra de coisas mirabolantes, exóticas, atraindo a ambição de comerciantes.