19/12/2025
Uma revisão abrangente de 15 anos de pesquisas, publicada na JAMA e repercutida pelo The New York Times, chama atenção para um ponto essencial: as evidências de benefício da cannabis medicinal ainda são fracas ou inconclusivas para a maioria das indicações, como dor, ansiedade e distúrbios do sono.
Como psiquiatra, vejo com preocupação a rápida normalização desses produtos sem a mesma rapidez na produção de ensaios clínicos robustos, definição clara de dose, indicações precisas e monitoramento de riscos. O dado de que quase 30% dos usuários de cannabis medicinal preenchem critérios para transtorno por uso de cannabis não pode ser ignorado.
Existem algumas situações específicas em que há evidências de certos benefícios, aprovados por agências regulatórias, mostram benefício em situações específicas (náuseas da quimioterapia, alguns quadros convulsivos pediátricos, estímulo do apetite). Isso é diferente do que se vende amplamente como “cannabis medicinal” em dispensários, muitas vezes sem padronização, fiscalização adequada ou evidência sólida.
Precisamos de ciência, regulação e cautela. Medicina não se faz por crença ou marketing, se faz por evidência.
fonte: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/12/revisao-sobre-o-uso-de-cannabis-medicinal-aponta-pouca-evidencia-de-beneficio.shtml
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