02/03/2026
Daquilo que cabe em pouca linhas, um breve retrato de algumas instituições que poderiam dar notícias daquilo que chamam percurso. Percurso, no entanto, é também o caminhar composto por tantos outros olhares. Desde aqueles onde ainda éramos dois estagiários de psicologia descobrindo juntos o encantamento com a educação popular e o cotidiano cercado de crianças, olhares que anunciavam que os horizontes, os da sociedade e os da prática profissional eram bem mais largos e complexos que os anunciados na graduação.
Percurso que faz travessias, da calmaria do interior do estado ao caos do centro de São Paulo, escuta semente gostando de gente, dos bebês e seus cuidadores, das crianças curumins da selva de pedra, das pessoas em situação de rua, dos mais velhos em sua solidão, dos jovens em cumprimento de medida sócio educativa tão sedentos de quem os escute, das professoras reinventando todos os dias o próprio ofício. Percurso itinerante na escuta de pequenos, jovens e adultos com deficiência, na fertilidade de sentimentos dos grupos de gestantes, na prática cotidiana onde a política pública se faz sobrevivência, nos espaços de brincar sendo ativados a cada novo brincante, na amplitude da clínica evidenciando que cada sujeito é um universo imenso, no respeito pela palavra possível em cada ser.
Percursos que são também sopro, que um Ventoforte inspirou que teatro fosse chão daterra e elementos vivos lembrando que brincar é básico e natural. São também o fogo carnaval preenchendo o corpo daquilo que pulsa mais brilhante. Água daquele tom preferido lavando dores, fazendo flutuar sonhos, se transformando em colo ninho. Terra que sonhamos dividida, que fazemos brinquedo, que lambuzamos de saber. São muitos, sempre, os olhares, as palavras, os saberes daqueles que também nos compõem, a cada encontro, a cada roda, em cada prática e escuta. Daterra somos nós...