09/09/2026
"Sem nenhum mestre além dos modelos diante dos meus olhos."
Hercule Florence escreveu isso em “L'Ami des Arts” — sua autobiografia, redigida entre 1837 e 1859, mostrando o autodidatismo como um dos traços definidores do artista e inventor.
Nascido em Nice em 1804, numa família de artistas (o avô era pintor oficial da corte de Mônaco; o tio, premiado pela Academia Real de França), Hercule aprendeu a ver com olhos de artista antes de frequentar qualquer escola. Aos 19 anos, embarcou para o Brasil. Em 1826, integrou a etapa fluvial da Expedição Langsdorff como segundo desenhista – e partiu para o interior do continente com a missão de registrar o que encontrassem.
Na viagem, apurou o olhar com o primeiro desenhista Aimé-Adrien Taunay, assumindo seu posto após a morte trágica do amigo. Nesse período, criou a Zoofonia: um sistema para transcrever os sons dos animais – uma das primeiras tentativas documentadas de notação sonora da fauna, precursora do que hoje chamamos de bioacústica.
Após a doença e a perda de memória do Barão de Langsdorff, torna-se o responsável pela preservação do legado da expedição.
De suas investigações sobre como fixar o que é efêmero, produz obras que hoje, mais de 200 anos depois, ganham o mundo, e que o colocam como um dos pais da fotografia mundial.
Acompanhe as redes do IHF para saber mais sobre a vida de Hercule Florence e suas criações.