06/06/2026
Em 7 anos monitorando o debate vacinal com o Instituto Mario Schenberg no twitter ou X, a maior lição foi humana: desinformação não vence por ser “mais inteligente”, mas por ocupar espaços onde a comunicação oficial nem sempre chega — comentários de madrugada, grupos de mães, threads longas e conversas cheias de dúvida.
Analisamos 1,37 milhão de tweets e encontramos 9 formas de falar sobre vacinas:
Celebridades grávidas engajam mais que posts institucionais: 207 interações/tweet e quase 11 mil visualizações. Vacina na gravidez protege mãe e bebê — e é gratuita no SUS.
Desinformação não é só bot: vimos threads com média de 66 tweets, argumentos elaborados e dados distorcidos. Verifique fonte, instituição e evidência antes de compartilhar.
O maior grupo é o cotidiano: “tomei vacina, braço doendo”, “grávida pode tomar?”, “bebê com bronquiolite”. Dúvidas reais pedem resposta clara, sem julgamento.
Um grupo menor, mas influente, reúne profissionais, pesquisadores e pessoas informadas debatendo eficácia, política vacinal e dados. Menos volume, mais impacto por post.
Portais noticiam HPV, dengue, COVID e SUS. A notícia chega, mas nem sempre vira conversa. Informação precisa abrir espaço para pergunta.
Fanfics, fofocas e narrativas sobre gravidez têm alto alcance. Às vezes, uma história conecta mais que um infográfico.
Zé Gotinha segue vivo no imaginário: threads sobre ele têm média de 118 tweets. A saudade é real — e a vacina que ele representa também.
Rotina vacinal tem muitos posts, mas baixo engajamento: mais volume não significa mais impacto. O registro certo precisa encontrar a audiência certa.
Há quem já decidiu se vacinar e só precisa saber onde, quando e como. Nesse caso, comunicação não é convencer: é facilitar.
A resposta à desinformação precisa ter dados, presença e humanidade. 🌙