26/06/2026
Pergunta de H**e Camargo: Chico, eu gostaria de fazer uma pergunta muito pessoal. Eu perdi meu pai, há dois anos. No começo eu chorava demais e diziam que a gente não devia chorar porque perturbava o Espírito dele. A partir daquilo eu passei a chorar menos e a pensar mais nele. Senti que, realmente, isso me trouxe mais tranquilidade. Acha você que quando a gente chora muito por um ente que nos deixou aqui, perturba o seu Espírito?
Resposta de Chico:
— Geralmente, quando partimos da Terra, partimos em condições difíceis, sempre traumatizados por violenta saudade e essa saudade também f**a do lado de cá.
Se persistirmos nas impressões de dor negativa, cultivando angústia interminada, isso se reflete sobre a pessoa que nós amamos.
Sem dúvida, o parente é nosso, a lágrima é uma herança nossa, sofremos e choramos, mas sempre que pudermos chorar escorados na fé em Deus, escorados na certeza de que vamos nos reencontrar, isso tranquiliza aquele ente amado que espera de nós um diálogo pacífico.
Creio que tudo aquilo que você fala com tanto amor, nas suas horas de maior sofrimento, ou que fala com tanto carinho junto às relíquias de seu venerado pai, em Gethsemani, n tudo isso alcança, pelos mais belos sentimentos, seu pai, porque vocês estão ligados.
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Pergunta de H**e Camargo: Chico, agora quero fazer uma pergunta talvez audaciosa. Havendo, segundo a Doutrina Espírita, Planos Espirituais Superiores, dispondo de notáveis poderes, como vocês explicam que eles não atuem para evitar A impedir as guerras e hecatombes que tanta repulsa causam a todos os Espíritos bem formados?
Resposata de Chico:
— Certamente os Espíritos superiores interferem sempre, através do diálogo amoroso e pacífico que o mundo espiritual estabelece com os seres humanos, desde épocas imemoriais.
Tudo aquilo que conhecemos dentro da religião — os preceitos religiosos — são induções à paz e ao amor, que devemos cultivar uns com os outros, à estima recíproca, ao trabalho, ao progresso, à cultura, à não violência.
Se ocorrem, em nosso campo de criaturas humanas, determinados conflitos, isso ocorre à nossa conta, porque, claramente que o homem terá criado o robô, mas Deus criou o espírito humano, livre, herdeiro das qualidades divinas, e o homem — configurando aí o homem e a mulher — obviamente possui suas faculdades próprias de autodeterminação e por isso mesmo necessitamos compreender que todos defendemos uns aos outros, que a guerra é um estado anômalo dentro da Humanidade, que isso não deveria ocorrer e que quanto mais nos adiantarmos, mais longe f**aremos das guerras e mais perto do panorama das realizações divinas que nos esperam no mundo de amanhã.
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Fonte: A Terra e o Semeador (Chico Xavier/Emmanuel). A obra é composta por transcrições de entrevistas e debates concedidos a jornais, rádios e programas de televisão, de 1958 a 1975.
Entrevista realizada por H**e Camargo, a 17 de setembro de 1973, no Horto Florestal Paulistano, para o seu programa da TV Record, Canal 7, São Paulo.