14/05/2026
O avanço acelerado das plataformas digitais e das ferramentas de inteligência artificial tem ampliado, no Brasil e no mundo, o debate sobre soberania de dados, democracia e proteção social. Em um cenário no qual informações públicas e privadas passaram a ocupar posição estratégica na economia global e no funcionamento das instituições, especialistas alertam para os riscos da concentração tecnológica nas mãos de grandes corporações internacionais.
Big Techs no sistema de justiça
A discussão ganhou novos contornos após reportagem publicada pelo portal JOTA revelar que o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, o advogado Roberto Quiroga e o apresentador Luciano Huck passarão a integrar o Conselho Institucional da startup brasileira de inteligência artificial jurídica Enter. A empresa anunciou uma nova rodada de investimentos liderada pelo fundo norte-americano Founders Fund, do empresário Peter Thiel, fundador do PayPal e aliado político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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Para estudiosos da economia digital e da governança de dados, a disputa contemporânea envolve não apenas tecnologia, mas poder político, econômico e institucional. Nesse contexto, o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, tem defendido publicamente a necessidade de o Brasil desenvolver mecanismos próprios de proteção e gestão de dados estratégicos.
“O Brasil infelizmente não é um país soberano de dados”, afirmou Pochmann em entrevista ao Brasil 247. Segundo ele, as big techs “sabem mais sobre os brasileiros do que o próprio governo”.
AJD realiza debate sobre o tema
Levando em consideração tal contexto, a Associação Juízas e Juízes para a Democracia promoverá, no dia 10 de julho, às 18h30, a mesa de discussão “Big Techs, Democracia e Proteção Social”, em sua sede, localizada na Rua Maria Paula, 36, 11º andar, Bela Vista, em São Paulo.
O debate contará com a participação dos juristas Pepe Chaves, Aldo Arantes e do cientista social Sérgio Amadeu, a mediação será com o juiz Marcus Barberino, conselheiro da AJD. O evento será aberto ao público.
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