O CDHEP - Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo é uma organização não governamental que tem como missão, formar e articular sujeitos sociais e processos políticos atuando na construção de uma sociedade justa e solidária. Cenário em que as violações dos Direitos Humanos, sobretudo por parte da “ordem” estabelecida, contra os grupos de oposição que ressurgiam na sociedade civi
l, eram flagrantes. Como em outras partes do país, na Região Episcopal de Itapecerica da Serra também surgiu uma Comissão Pastoral dos Direitos Humanos. Com a mudança das conjunturas política e eclesial, a Comissão Pastoral virou uma ONG. Desde então, ampliou e diversificou suas atividades, tendo a questão da luta contra a violência como uma de suas atividades principais. Nesta temática, realiza uma pesquisa sobre homicídios no início da década de 90, em parceria com a Faculdade de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, diagnosticando e denunciando os altos índices de mortes na região. Neste cenário surge o programa Defesa da Vida e em 1996, o CDHEP e outras entidades fundam o Fórum em Defesa da Vida, uma rede de entidades e pessoas em busca de alternativas e soluções em torno da superação da violência. Neste mesmo ano é criada, o que viraria um símbolo desse Fórum, a 1ª Caminhada pela Vida e pela Paz, organizado em 2 de novembro de 1996, Dia de Finado que acontece anualmente até hoje. Em 2000 foi estabelecido um convênio com a Secretaria de Justiça do estado de São Paulo para executar o programa de proteção às vítimas e testemunhas. Outro programa que marcou a história do CDHEP, foi o Escola de Lideranças, que em articulação com a população local e com as lideranças dos movimentos sociais, eclesiais e populares, realizava oficinas, debates e seminários relacionando temas diversos daquela conjuntura, a partir da educação popular. Inaugurada no ano de 1997 – a Escola de Lideranças foi um passo no apoio aos Movimentos Populares e outros grupos organizados. Ainda nos anos 2000, percebe-se a necessidade de maior pressão coletiva pelo incremento de equipamentos públicos para atender à população, e a Ação Civil Pública e o Tribunal Popular, passam a ser mais um instrumento de luta política. Algumas conquistas foram: Defensoria Pública de SP, o CIC SUL (Centro de Integração da Cidadania) e o 1º CEU (Centro Educacional Unificado), ambos no Valo Velho, o hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch, na estrada M’Boi Mirim no Jardim Ângela. Em meados de 2005, o CDHEP se aproxima de conceitos que visam entender melhor a constituição dos conflitos na sociedade e inicia uma nova trajetória no que se constitui hoje a temática Justiça Restaurativa, que passa a ser um dos eixos centrais da instituição em articulação com os direitos humanos e a educação popular. Neste período, assim como a justiça restaurativa, as temáticas: juventude, igualdade étnico-racial e gênero passam a ser incorporadas nos projetos e ações de forma mais intensa. A partir de 2010, em parceria com a Pastoral Carcerária Nacional, o CDHEP passou a atuar dentro do sistema prisional, visando difundir a justiça restaurativa como possibilidade para lidar e superar os conflitos, em detrimento às tradicionais práticas punitivas e à violência.