Repórter Brasil

Repórter Brasil Jornalismo, documentários, pesquisa e educação. Denunciamos situações que ferem direitos trabalhistas
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A Repórter Brasil foi fundada em 2001 por jornalistas, cientistas sociais e educadores com o objetivo de fomentar a reflexão e ação sobre a violação aos direitos fundamentais dos povos e trabalhadores do campo no Brasil. Devido ao seu trabalho, tornou-se um das mais importantes fontes de informação sobre trabalho escravo no Brasil. Suas reportagens, investigações jornalísticas, pesquisas e metodologias educacionais têm sido usadas por lideranças do poder público, do setor empresarial e da sociedade civil como instrumentos para combater a escravidão contemporânea, um problema que afeta milhares de brasileiros.

ANÁLISE | O governo Lula sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos em 16 de setembro, criando um...
18/09/2026

ANÁLISE | O governo Lula sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos em 16 de setembro, criando um marco para um setor que deve ganhar cada vez mais importância nos próximos anos.

A ideia é relativamente simples e faz sentido: o Brasil não deveria se limitar a retirar minerais do subsolo e exportá-los como matéria-prima. A política busca estimular o beneficiamento, a transformação mineral e a industrialização no país, agregando valor às cadeias produtivas e tentando fazer com que a riqueza mineral seja também uma oportunidade de desenvolvimento tecnológico e industrial.

A lei prevê instrumentos de financiamento e incentivos fiscais e cria um conselho ligado à Presidência da República para coordenar a política. Também estabelece critérios socioambientais para a seleção de projetos, fala em rastreabilidade, diálogo com comunidades afetadas, prevenção, mitigação e compensação de impactos e até cria um Certificado Mineral de Baixo Carbono.

Trata-se de um desenho legislativo criado junto à Câmara e ao Senado que tentou ligar várias pontas, do desenvolvimento econômico à sustentabilidade, da extração à industrialização.

Mas, ao menos à primeira vista, esse desenho final ficou longe de tranquilizar comunidades e movimentos sociais estabelecidos nos territórios onde os minerais estão.

Um primeiro ponto de preocupação diz respeito à governança. A política concentra muito poder no governo federal e tem participação bastante limitada da sociedade.

O Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos será vinculado à Presidência da República. Seu núcleo é formado por 15 ministros, além de representantes dos estados, municípios, setor privado e universidades. A sociedade civil não tem um representante permanente com direito a voto.

Estamos em temporada de eleições. Se existe preocupação com o governo atual, que é mais aberto ao diálogo com a sociedade civil, o que poderia acontecer num cenário de um novo governo alinhado com setores retrógrados da sociedade e do empresariado?

🔗Leia a análise completa em https://bit.ly/3UVCrxC

Uma mineradora ré por suspeita de integrar um esquema de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, já expor...
18/09/2026

Uma mineradora ré por suspeita de integrar um esquema de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, já exportou estanho a empresas norte-americanas com contratos com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

O Pentágono classifica o metal como indispensável para a produção de componentes eletrônicos usados em seus equipamentos militares.

Apresentando-se como uma das maiores produtoras de estanho do mundo, a White Solder forneceu ao menos 525 toneladas para a americana Indium Corporation entre maio de 2023 e agosto de 2025, segundo registros alfandegários analisados pela reportagem.

A Indium fornece soldas para a Raytheon, fabricante de sistemas militares, como radares e mísseis de alta precisão, que mantém diversos diversos contratos com o governo norte-americano. Com mais de 100 anos de atuação, a Raytheon faturou USD 88 bilhões em 2025.

Um desses contratos, assinado em 2020 por US$ 2,2 bilhões, prevê a produção de sete radares de defesa antimíssil destinados a Arábia Saudita até 2027. Em outro contrato, assinado em 2024 e com validade até 2031, a Raytheon garantiu outros US$ 2,9 bilhões para fornecer aos Estados Unidos unidades do mais moderno radar de defesa aérea e antimíssil desenvolvido pela companhia.

A White Solder também forneceu o metal para a norte-americana Nathan Trotter, que se define como a maior fabricante de estanho e ligas de solda da América do Norte. Entre agosto de 2021 e agosto de 2025, a companhia recebeu ao menos 2,4 mil toneladas da produtora de estanho brasileira, apontam registros alfandegários.

Em setembro de 2024, o Departamento de Defesa americano destinou US$ 19 milhões à Nathan Trotter para a empresa instalar uma unidade de fundição, refino e reciclagem de estanho no estado da Pensilvânia.

O objetivo do aporte é fortalecer a produção interna de minerais críticos e “conter os esforços da China para monopolizar a oferta global e a reduzir as vulnerabilidades da cadeia de suprimentos”, diz o release divulgado pelo órgão.

Procuradas pela Repórter Brasil, White Solder, Nathan Trotter, Raytheon e o Departamento de Defesa dos EUA não responderam aos questionamentos enviados pela reportagem.

📝Isabel Harari e Murilo Pajolla

🔗Confira a reportagem completa em https://bit.ly/4AgCfsQ

  | Os possíveis envolvimentos de juízes do STF no escândalo do Banco Master deixaram em segundo plano pautas fundamenta...
17/09/2026

| Os possíveis envolvimentos de juízes do STF no escândalo do Banco Master deixaram em segundo plano pautas fundamentais para a classe trabalhadora, que continuam sem desfecho nos poderes legislativo e judiciário. É o caso da proposta do fim da escala 6x1, regime de trabalho que afetaria 14,8 milhões de brasileiros. Ela precisa ser votada pelo Senado.

Também está parada a discussão sobre a regulamentação do trabalho de motoristas e entregadores de aplicativo, ocupação de cerca de 2 milhões de pessoas no país. A votação do PLP 152/2025 teve sua votação cancelada no dia 14 de abril na Câmara dos Deputados por falta de consenso entre o governo e a relatoria do projeto.

O documentário GIG - A Uberização do Trabalho, da Repórter Brasil, aprofunda a discussão sobre a precarização das relações de trabalho no país. Disponível no YouTube da Repórter Brasil, ele também será exibido e debatido em curso do Cinusp (somente para inscritos) hoje (17).

17/09/2026

A mineradora White Solder comprou cassiterita de áreas onde não há indícios de exploração mineral. Entre 2020 e 2025, a empresa declarou em documentos oficiais a compra de 2,3 mil toneladas do minério de dois locais sem sinal de mineração em Campo Novo de Rondônia, no norte do estado.

A Repórter Brasil visitou as duas áreas indicadas pela White Solder como origem da cassiterita, mas encontrou apenas pasto para criação de gado e dezenas de animais. A verificação foi feita por meio de sobrevoo em conjunto com a organização Greenpeace e por estradas de terra.

“As evidências disponíveis não apresentam sinais espaciais e temporais compatíveis com a produção mineral”, afirma o Greenpeace. Além da verificação no local, a organização analisou imagens de satélite de alta resolução, material revisado pela Repórter Brasil. Para a organização, as evidências analisadas sugerem que as áreas tratam-se de “garimpos fantasmas”.

“Garimpos fantasmas” é como são conhecidas áreas de garimpo autorizadas a funcionar e comercializar o minério, mas que, na prática, não registram produção efetiva. Locais como esses podem ser usados para ocultar a real origem de mineral extraído ilegalmente de áreas sem autorização minerária, como territórios indígenas.

A cassiterita é a matéria-prima do estanho, metal considerado estratégico para a indústria bélica e da tecnologia por funcionar como uma espécie de “cola” na soldagem de componentes eletrônicos. A White Solder adquire o minério bruto e faz o processamento em uma unidade industrial em Rondônia, antes da exportação.

Procurada por e-mail e telefone pela Repórter Brasil, a White Solder não respondeu até a publicação desta reportagem.

📝Isabel Harari e Murilo Pajolla

🔗Confira a reportagem completa em https://bit.ly/4xyRlrh

Duas trabalhadoras domésticas negras, de 90 e 65 anos, foram resgatadas de condições análogas à escravidão em Belo Horiz...
16/09/2026

Duas trabalhadoras domésticas negras, de 90 e 65 anos, foram resgatadas de condições análogas à escravidão em Belo Horizonte após permanecerem 75 e 58 anos, respectivamente, vinculadas à mesma família. Segundo a fiscalização, elas foram transferidas de uma geração para outra de empregadores.

As duas limpavam a casa, faziam compras, preparavam refeições e realizavam outras tarefas, sem descanso nem aos domingos. Também não tinham direitos trabalhistas efetivados, enfrentavam restrições à vida social e não tiveram as mesmas oportunidades de educação e de construção de projetos de vida que outros membros da família.

Após o resgate, foram encaminhadas a uma instituição governamental de assistência a mulheres vítimas de violência. Uma delas, segundo a fiscalização, ainda insistia em realizar tarefas domésticas no local de acolhimento e, em alguns momentos, acreditava continuar vinculada à antiga rotina de trabalho.

🔗Saiba mais em https://bit.ly/4hhE3u3

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16/09/2026

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A Rainforest Alliance suspendeu o selo de boas práticas concedido a uma fazenda de café após seus controladores serem co...
15/09/2026

A Rainforest Alliance suspendeu o selo de boas práticas concedido a uma fazenda de café após seus controladores serem condenados pela Justiça, no início de setembro, por submeter quatro trabalhadores a condições análogas à escravidão. As violações teriam ocorrido na Fazenda Três Marias, em Altinópolis (SP), entre abril e julho de 2025, quando a propriedade era chancelada pela organização.

A Rainforest Alliance é um dos mais reconhecidos padrões internacionais de sustentabilidade no setor cafeeiro. Em seu Relatório Anual de 2023, a organização afirmou que 17% de todo o café produzido no mundo era certificado pelo seu programa.

Segundo a Rainforest Alliance, a decisão foi tomada após ser comunicada da condenação pela Repórter Brasil, por meio de um e-mail questionando-a a respeito do caso. A organização informou ainda ter iniciado uma análise de integridade do caso. “Com base nos resultados dessa análise, serão adotadas as medidas cabíveis de acordo com os requisitos e procedimentos da Rainforest Alliance”, pontuou.

Na terça-feira (15), entretanto, a certificação ainda aparecia na plataforma da organização. Segundo sua assessoria de imprensa, isso acontece porque o site demora a ser atualizado.

A Rainforest Alliance disse, ainda, que em abril de 2025 e abril de 2026 a Fazenda Três Marias passou por auditorias “que incluíram entrevistas com trabalhadores e avaliações das condições de trabalho”, e que em ambas as avaliações “não foram identificadas evidências das violações mencionadas no processo judicial”.

📝Daniela Penha
📸Lela Beltrão/Repórter Brasil

🔗Confira a reportagem completa em https://bit.ly/46qcgSe

🔴 Periodistas de la Amazonía dejan de cubrir las elecciones en Brasil por miedo a morir.El medio independiente Tapajós d...
15/09/2026

🔴 Periodistas de la Amazonía dejan de cubrir las elecciones en Brasil por miedo a morir.

El medio independiente Tapajós de Fato, del estado de Pará, decidió suspender su cobertura de las elecciones de Brasil de 2026 después de años de amenazas, persecuciones y episodios de violencia contra su equipo.

Una de las amenazas más graves ocurrió en 2022: un periodista encontró una cabeza de gato decapitada junto a un mensaje que advertía al fundador del medio, Marcos Wesley Pedroso, que él sería la próxima víctima. La presión ha tenido consecuencias en el equipo de la redacción y en la vida personal de sus periodistas.

Algunos tuvieron que mudarse, vivir temporalmente en hoteles o dejar de visitar a sus familiares. El equipo pasó de más de 20 integrantes en 2022 a siete profesionales.

📰 «Cuando es mejor no hablar por una cuestión de supervivencia, en realidad, quien pierde es la sociedad», afirma el coordinador de proyectos João Paulo Serra, de 27 años.

Convoca publica este reportaje de Repórter Brasil , Agência Pública e InfoAmazonia , como parte del Consejo Editorial Transfronterizo, que promueve investigaciones y coberturas conjuntas sobre los problemas socioambientales que atraviesan las fronteras de la Amazonía.

🔎 Lee el reportaje completo en:
https://convoca.pe/agenda-propia/los-periodistas-de-la-amazonia-que-dejaron-de-cubrir-las-elecciones-en-brasil-por

  | Ao longo do mês de agosto, a Operação Resgate 6 – uma mega operação interinstitucional – resgatou 479 trabalhadores ...
14/09/2026

| Ao longo do mês de agosto, a Operação Resgate 6 – uma mega operação interinstitucional – resgatou 479 trabalhadores de condições de trabalho escravo, dos quais 75 (16%) eram mulheres, 13 (3%) eram crianças e adolescentes e 66 (14%) eram migrantes vindos de Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.

Dentre as atividades econômicas flagradas com trabalho escravo, predominou a construção civil, com 85 resgatados (18% do total). Na sequência, vieram diversos cultivos, com destaque para o café, com 53 resgatados (11%); a cebola, com 47 (10%); a batata-inglesa, com 44 (9%); e o cultivo de plantas de lavoura temporária, com 43 (9%). Destacou-se também a coleta de produtos não madeireiros em florestas nativas, com 29 resgatados (6%).

🔗Confira outros dados sobre a operação nas imagens acima e acesse a matéria no link na bio.

A redação do Tapajós de Fato passou parte deste ano definindo a pauta e buscando financiamento para cobrir as eleições d...
14/09/2026

A redação do Tapajós de Fato passou parte deste ano definindo a pauta e buscando financiamento para cobrir as eleições de 2026. Mas ameaças e episódios de violência levaram o site de Santarém, no oeste do Pará, a abandonar o projeto antes da primeira reportagem.

Criado em 2020 durante a onda de negacionismo da pandemia, o Tapajós de Fato é um veículo independente que se tornou referência no jornalismo feito na Amazônia, denunciando violações sociais e ambientais. Mas, na campanha deste ano, a redação não vai abordar os problemas, propor soluções para a região, nem investigar vínculos de candidatos com o garimpo, o agronegócio e as grandes obras.

‘Quando é melhor não falar, por uma questão de sobrevivência, na verdade, quem perde é a sociedade”, afirma o coordenador de projetos João Paulo Serra, de 27 anos.

A decisão de não cobrir as eleições deste ano foi tomada após uma série de ameaças que mostraram não haver segurança para trabalhar. Na eleição presidencial de 2022, a cabeça decapitada de um gato apareceu no terreno baldio onde a equipe estacionava a caminhonete de reportagem. Ao lado, um bilhete trazia o nome de Marcos Wesley Pedroso, o fundador do Tapajós de Fato, e avisava que ele seria a próxima vítima. Dias antes, os quatro pneus do veículo haviam sido rasgados.

Em outro episódio, uma comunicadora foi atacada com uma faca e conseguiu se desviar de vários golpes. O agressor não foi identificado, e o Tapajós de Fato não conseguiu determinar se o objetivo era matá-la, intimidar a redação ou se o episódio não tinha relação com o trabalho jornalístico.

A violência não impediu a cobertura daquela eleição. Em 2022, o Tapajós de Fato entrevistou candidatos progressistas com atuação no oeste do Pará e debateu assuntos da região, como garimpo, desmatamento, mudanças climáticas e direitos dos povos tradicionais.

Em 2024, porém, a insegurança levou o site a suspender a cobertura das eleições municipais. “A gente decidiu recuar de novo em 2026”, lamenta Marcos.

📝Daniel Camargos
📸Arquivo pessoal

🔗Confira a reportagem completa em https://bit.ly/4xFhG77

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