22/08/2026
No dia 22 de agosto de 1988, foi fundada a Fundação Cultural Palmares, importante instrumento de valorização e preservação da Cultura Negra e do papel do povo preto na construção do Brasil. Desde então, tornou-se um símbolo de luta por memória, reparação histórica e justiça social.
No entanto, no último período a Fundação sofreu com uma ofensiva da extrema direita. A ofensiva consistia em sistematicamente tentar apagar a relevância do povo preto da história de nosso país, acabando com a razão de ser da instituição. Esse projeto político busca apagar a contribuição do povo negro, fragilizar comunidades quilombolas e transformar a Fundação em um espaço de negação, e não de afirmação. A disputa em torno da Palmares é a própria disputa pelo lugar da população negra na história e no presente do país.
No Brasil, onde 84% das pessoas pretas já relataram ter sofrido discriminação racial e onde o risco de um negro ser vítima de homicídio é 2,7 vezes maior que o de um não negro (Atlas da Violência 2023), a Fundação não pode ser reduzida a um espaço cultural. Ela precisa ser fortalecida e reestruturada para servir como instrumento de luta: para enfrentar o racismo estrutural, disputar a memória oficial e construir políticas públicas de reparação histórica e igualdade racial.
O Brasil é um país construído pelo povo negro, com trabalho escravizado e baseado na resistência quilombola e culturas afro-brasileiras. Reparar a história não é escolha, é um dever de uma nação que só existe porque o povo negro a construiu.