01/05/2026
1° de maio é dia de luta! E a Anpocs celebra e se une a estas lutas. Para refletir sobre o significado deste dia, convidamos a pesquisadora Bárbara Castro ( )que produziu o texto abaixo (Continua no comentário fixado).
Mais do que um dia que celebra uma greve bem sucedida em Chicago, em 1886, o primeiro de maio é legado e testemunho da força dos movimentos socialistas e operários no século XIX. Esse legado se expressa em uma agenda contínua de reivindicações. Entre elas, a luta pela regulação da jornada de trabalho, uma das bandeiras mais persistentes da classe trabalhadora. A busca por limites mais salubres para o tempo de trabalho e por uma distribuição mais justa das horas ao longo do dia, da semana e do ano atravessa diferentes momentos históricos e se atualiza em pautas contemporâneas, como o debate sobre o fim da escala 6x1.
No entanto, essa luta não se dá de forma homogênea. As experiências de jornada de trabalho são atravessadas por desigualdades de classe, gênero e raça. Mulheres, especialmente mulheres negras, historicamente enfrentam jornadas mais longas, fragmentadas e imprevisíveis, marcadas pela sobreposição entre trabalho remunerado e trabalho doméstico e de cuidados, muitas vezes invisibilizado. Da mesma forma, trabalhadores negros e imigrantes tendem a ocupar postos mais precários, com menor controle sobre o tempo de trabalho e maior exposição a jornadas extensas e irregulares. Assim, a disputa pela redução e regulação da jornada também é uma disputa por justiça social, que exige considerar as desigualdades estruturais que organizam o mundo do trabalho.
Nesse sentido, o Primeiro de Maio não é apenas memória de conquistas passadas, mas expressão viva de uma luta em curso, que se reinventa a cada geração. Mas como ritual político, ele celebra e constrói a identidade da classe trabalhadora em sua forma universal, fixando símbolos, narrativas e memórias coletivas. É justamente nesse plano ritual que se torna decisivo reconhecer que essa classe nunca foi homogênea. Refletir sobre o Primeiro de Maio é também interrogar quem é simbolicamente incluído quando a classe trabalhadora é celebrada.
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