15/08/2026
Marielle tinha 19 anos quando Luyara Franco chegou e atravessou sua vida para sempre. Ainda muito jovem, ela conheceu no próprio corpo o que significa esperar a chegada de uma filha e tudo o que uma gestação movimenta por dentro e por fora: os medos, as mudanças, os sonhos, a necessidade de cuidado e uma vida que começa a ganhar outros contornos enquanto outra vida está sendo gerada. Talvez por isso seja tão bonito olhar para a trajetória de Marielle sem separar a mulher que viveu tudo isso da política que ela construiu depois. Porque, quando o cuidado aparece em sua atuação, ele não parece uma palavra distante ou burocrática: tem experiência vivida.
Anos mais tarde, Marielle levaria para a política a defesa de um pré-natal acolhedor, do parto e do nascimento humanizados, das Casas de Parto e de um olhar atento para a violência obstétrica e a mortalidade materna, especialmente entre mulheres negras. Não precisamos dizer que uma coisa nasceu necessariamente da outra para perceber o fio que atravessa essa história: Marielle sabia que gestar também é precisar ser cuidada, ouvida, respeitada e ter seus direitos garantidos.
Neste Dia da Gestante, lembrar da jovem Marielle que um dia esperou pela chegada de Luyara também nos ajuda a lembrar da política que ela escolheu fazer depois, uma política que olhava para a vida como ela acontece e que defendia que toda pessoa que gesta pudesse viver esse momento com dignidade, autonomia e cuidado.