14/09/2026
Por uma pedagogia crítica e libertadora que se deixa afetar.
Acessar o espaço de uma das universidades mais concorridas de São Paulo, a USP, olhar para a banca e ter a grata surpresa de me sentir representado. Se não bastasse pelos valores serem coerentes com os meus, a cor da pele e a trajetória de vida também me refletiam. Essa foi minha primeira impressão como participante do VIII Congresso Internacional de Pedagogia Social que ocorreu entre os dias 24 a 28 de agosto nos espaços da FEUSP e Mackenzie.
Esse evento trouxe as relações humanas como centro das discussões, tratou de temas urgentes, como a questão da criança e do adolescente e a garantia de direitos. Considerou uma epistemologia biográfica, afirmando que a realidade deve transformar a teoria. O educador foi incentivado a ser pesquisador da sua prática, e o pedagogo, a não se limitar ao contexto escolar.
Foram muitos os profissionais que contribuíram com suas pesquisas, reflexões e ações concretas. Pensamentos maduros e experientes acerca da educação em espaços vulneráveis e marginalizados, como presídios, Fundação Casa e instituições de acolhimento que nos convidam a cultivar uma pedagogia social que se deixa afetar para não alienar. Falas jovens de impacto profundo, pontuando que dar voz não basta sem orientação.
Saí desse encontro com mais certeza da missão e dos valores institucionais da Monte Azul e o quanto podemos aprender uns com os outros e nos fortalecer coletivamente. Deixamos nossa contribuição, apresentando um artigo que relata a nossa experiência pedagógica e metodológica com a formação da primeira turma de pós-graduação em Educação Comunitária Mainumby e voltamos inspirados pelas experiências e a consciência de tantas outras pessoas que atuam movidas pelo mesmo propósito de uma ação humanizadora e crítica.
Por Rogério Coutinho - Coordenador de Práticas Sociais