19/11/2024
Caros professores e professoras de Ciências Sociais e Filosofia,
O Movimento em Defesa da Filosofia e da Sociologia no Ensino Médio - SP, reúne aproximadamente 700 professoras/es atuantes na educação básica, pesquisadoras/es, representantes de associações, sindicatos e apoiadores da sociedade civil para discutir a atuação dessas áreas na educação pública do estado de São Paulo, na luta contra a redução e esvaziamento das disciplinas de Sociologia e Filosofia no Ensino Médio paulista.
As mudanças curriculares advindas da reforma do Novo Ensino Médio (NEM) interromperam os avanços conquistados pela obrigatoriedade alcançada em 2008. Desde a implementação do NEM, estas disciplinas foram substituídas por Itinerários Formativos desarrazoados, com pouca ou nenhuma criticidade.
Em outubro de 2024 recebemos mais um golpe com a Resolução 84/2024 da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo que reiterou as perdas nas grades curriculares de Filosofia e Sociologia que deveriam ter sido revertidas pela Lei 14.945/2024. Atualmente,a disciplina de Filosofia é ofertada somente nas 1ªs séries do Ensino Médio e 3ª séries no Itinerário Formativo de Filosofia e Sociedade Moderna. Sociologia somente nas 2ªs séries do Ensino Médio. Os professores de Filosofia e Sociologia foram alocados em disciplinas de Oratória e Liderança, que não contemplam temas, teorias ou saberes das Ciências Sociais e da Filosofia, sendo forçados a trabalhar em sala de aula assuntos relacionados ao mundo empresarial e aos conteúdos propagados por "coaches" ou por inteligência artificial generativa. Para exemplificar, durante todo o primeiro bimestre letivo de 2024, a principal referência teórica da disciplina de Liderança era o livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, de Dale Carnagie. Lembrando que os colégios particulares mantiveram a carga horária da formação básica inalterada e incluíram os itinerários formativos no contraturno com caráter de aprofundamento curricular.
Queremos respeito ao equilíbrio entre os componentes curriculares da formação geral básica e a autonomia de cátedra das/dos professoras/es. Queremos respeito às especificidades, objetos de estudo, métodos, atitudes, linguagens e modos de pensar próprios da Filosofia e Sociologia e que são de extrema importância para a abertura intelectual e práticas necessárias às transformações na contemporaneidade.
Nesse momento, denunciamos o atual estado da educação pública paulista e reivindicamos que as disciplinas de Filosofia e Sociologia retornem a duas aulas semanais para 1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio, compondo a Formação Geral Básica dos estudantes. Estarrecidos diante do último concurso público para docentes da educação básica do estado de SP, que dentre as quase 20.000 vagas não houve convocação de nenhum professor de Filosofia nem de Sociologia, exigimos a convocação proporcional dos professores e professoras destas disciplinas. Lembrando que existem atualmente cerca de 150 mil professores temporários - cat. "O" - na rede pública de ensino de sp. Não estamos ameaçados apenas de nos tornarmos permanentemente temporários, mas de perdemos nossos empregos mais do que quaisquer outras disciplinas.
Pedimos encarecidamente que se juntem conosco nesta luta. Milhares de professores já sofrem as consequências deste desarranjo que nos ameaça de penúria e que não se encerra no ensino básico. Com a redução brusca da carga horária também se reduz a procura por profissionais qualificados, diminui-se a demanda pelas licenciaturas diante de uma carreira docente que foi implodida com a implementação do NEM. E isto não é à toa, pois Filosofia e Sociologia são disciplinas que se opõem frontalmente a visão neoliberal e autoritária que está em curso nas privatizações e na militarização da educação básica. Nosso Manifesto conta até o momento com 680 assinaturas e o apoio da APROFFESP, APROFFIB, ABECS, ABEFIL, CNTE e ANASO.
Juntos com a APROFFESP, APROFFIB e ABECS, realizaremos um primeiro
ATO PÚBLICO EM DEFESA DA FILOSOFIA E SOCIOLOGIA NO EM - SP
Dia 28/11 - Quinta-Feira - 15hrs - Em frente à Seduc (Praça República, 53).