14/06/2026
Hoje, pelo Projeto Saber e Mudar:
JESUS E A CURA DO ISRAELITA
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Em ambos os lados do caminho de Bethânia a Jerusalém estavam como pintadas nas colinas e montes uma enormidade de tendas grandes e pequenas e todas mergulhadas na silenciosa penumbra própria daquela hora.
O Mestre e seus acompanhantes foram dos primeiros a entrar na adormecida cidade por uma porta chamada do Pescado, que era a primeira a ser aberta.
Para um dos lados e atrás dos pilares que formavam a arcada, viram um vulto escuro e imóvel.
— Aquilo parece um homem morto – disse Nathaniel, que o viu primeiro.
— Ou um homem vivo que carece de lar e de leito – respondeu o Mestre aproximando-se do vulto.
Era, com efeito, um infeliz paralítico que ficara ali deitado sobre uma pele de cabra, parcialmente envolto em seu cobertor felpudo cor de terra.
O Mestre descobriu-lhe a cabeça e o homem despertou.
— Que fazes aqui? Não tens casa? – perguntou.
— Minha casa é uma caverna fora da cidade – disse. – No entanto, quando, ontem à noite, pude chegar até aqui me arrastando, a porta já estava fechada, senhor, e por isso passei aqui a noite. O guardião deu-me a sobra de sua comida e não passei tão mal assim.
— Sofres de reumatismo, não é verdade? – continuou o Mestre. – Ainda não és velho e não te faria mal algum voltar a correr como em teus bons tempos.
— Oh, amiguinho!... Há onze anos que estou assim. Como não posso ganhar o meu pão, peço esmolas no mercado.
— És israelita? – perguntou Pedro.
— Sou e creio no poder de Jehová e em Moisés, seu Profeta – respondeu –, mas eles parecem ter-se esquecido de mim.
— Deus não esquece jamais uma criatura sua, meu amigo – disse o Mestre. Como prova disto, ordeno neste instante:
"Levanta-te e vem comigo para ouvir o que direi no Templo do Senhor."
O paralítico abriu enormemente os olhos e quis gritar quando, tomando-o por ambas as mãos, o Mestre obrigou-o a pôr-se de pé.
— Vem comigo – insistiu –, e deixa aí esse mísero leito para que seja lançado ao monturo.
O homem seguiu-os como um autômato, sem saber se estava sonhando ou se era realidade o seu novo estado. Quando chegaram ao mercado compraram-lhe um manto novo e sandálias.
Enquanto subiam a imensa escadaria, a Porta Bela foi aberta e o resplendor dos círios e o perfume do incenso alcançou o pórtico exterior.
O pobre paralítico caiu de joelhos e beijou o umbral de mármore por onde não entrava há onze anos.
— Senhor – disse soluçando – este Profeta abre novamente para mim a porta do teu Templo. Bendito seja, para sempre, o único homem que realmente teve piedade de mim!
O Mestre acariciou-lhe a cabeça e disse:
— Não te separes destes que me seguem, porque hoje terás um lar e família. – Aos seus designou que esperassem ali mesmo, onde ele os deixava.
(...)
Livro:
Harpas Eternas – Volume IV
Josefa Rosalía Luque Alvarez, pelo Espírito Hilarião de Monte Nebo
Editora Pensamento