28/09/2025
China desvia compras de soja para a Argentina após breve suspensão de imposto, em dois dias foram negociados 7 bilhões batendo o teto da suspensão temporária de impostos...
A China garantiu o fornecimento de ao menos 10 navios, cada um com capacidade para 65 mil toneladas de soja argentina, aproveitando uma janela de oportunidade criada pela suspensão temporária de um imposto de 26% sobre as exportações do grão no país. A medida fez com que Pequim priorizasse a Argentina em detrimento de seus fornecedores habituais, como Brasil e Estados Unidos, em um momento de forte competição no mercado agríglobal. A produção Argentina é limitada, porém está janela é muito importante para potencializar a comercialização dos produtos, proporcionando o giro da economia.
A medida de estímulo argentina
Em setembro, o governo argentino suspendeu as "retenciones" (impostos de exportação) para grãos como soja, milho, trigo e seus derivados. O objetivo era incentivar vendas externas para aumentar rapidamente a entrada de dólares na economia. A isenção, que também incluiu cortes de carne, vigoraria até 31 de outubro ou até que as exportações registradas atingissem um limite de US$ 7 bilhões. Este teto foi alcançado em apenas dois dias, fazendo com que o governo restabelecesse as taxas em 25 de setembro.
O movimento chinês e seus impactos
Apesar da curta duração da isenção,tradings chinesas localizadas em Singapura e Pequim fecharam rapidamente os negócios para embarque em novembro. Os carregamentos foram negociados com um prêmio sobre os preços futuros de Chicago, uma prática comum que, neste caso, tornou a soja argentina momentaneamente mais competitiva.
O efeito foi imediato: a perspectiva de maior oferta pressionou os preços dos derivados de soja no mercado futuro chinês (Dalian) e em Chicago. Analistas avaliam, porém, que o impacto tende a ser limitado, dada a rápida restauração do imposto e o volume finito de soja disponível para exportação imediata na Argentina.
Brasil e EUA perdem espaço momentaneamente
Esse redirecionamento das compras chinesas significa que,no pico da temporada de exportação dos EUA, a China ainda não adquiriu soja da nova safra norte-americana. Simultaneamente, parte da demanda que usualmente seria atendida pelo Brasil também migrou para a Argentina durante a janela de preços favoráveis. Isso reforça a estratégia chinesa de diversificar suas fontes de abastecimento e aproveitar vantagens fiscais pontuais.
Perspectivas futuras
Com o retorno do imposto argentino,a atratividade da soja do país se normaliza. A expectativa do mercado é que as compras chinesas se reajustem com base na paridade de preços entre os fornecedores. Assim, Brasil e Estados Unidos devem recuperar espaço nas próximas semanas, à medida que a vantagem competitiva argentina se esvai, reabrindo as oportunidades de negócios nas praças tradicionais.