10/08/2026
Dizem que o amor cura.
Mas quase ninguém fala
sobre quem passa a vida
tentando curar os outros.
Quem protege também sangra.
Também cansa.
Também tem medo.
Também chega em casa
sem saber de onde tirar dinheiro
para o próximo tratamento.
E, ainda assim, volta.
Volta para o animal que foi abandonado,
para a ferida que precisa ser limpa,
para a fome que não pode esperar,
para mais um caso
que não deveria ter chegado até ali.
Chamam de amor.
E é.
Mas também é uma ferida aberta
de uma sociedade que se acostumou
a deixar para alguns
a responsabilidade de cuidar de todos.
Porque enquanto a proteção animal
depender apenas de quem não consegue
virar o rosto,
quem protege vai continuar
pagando sozinho
por uma conta que nunca foi só sua.
E talvez essa seja a parte
que ninguém gosta de ouvir:
o amor pode curar um animal.
Mas amor nenhum deveria ser usado
como desculpa para a ausência de responsabilidade.
Hoje é dia de quem protege.
Mas também deveria ser dia
de perguntar:
quem está protegendo quem protege?