16/06/2026
🎩🎶 Carlos Cachaça: o poeta que ajudou a construir a história da Mangueira
Falar de Carlos Cachaça é falar das próprias raízes do samba carioca. Nascido no Rio de Janeiro em 3 de agosto de 1902, com o nome de Carlos Moreira de Castro, ele se transformou em uma das figuras mais importantes da cultura popular brasileira e em um dos grandes responsáveis pela construção da identidade da Estação Primeira de Mangueira.
Criado no Morro da Mangueira, Carlos viveu de perto o nascimento dos blocos carnavalescos e das primeiras manifestações que dariam origem às escolas de samba. Ainda menino, já participava dos festejos da comunidade e, aos 16 anos, atuava como pandeirista no conjunto de Mano Elói.
O apelido que o acompanharia por toda a vida surgiu de forma curiosa. Em uma roda de amigos onde havia vários "Carlos", ele era o único que preferia beber cachaça em vez de cerveja. A brincadeira virou marca registrada, e nasceu ali o lendário Carlos Cachaça.
Em 1925, ao lado de Cartola, Marcelino José Claudino, Francisco Ribeiro e Saturnino Gonçalves, participou da criação do Bloco dos Arengueiros, embrião da futura Estação Primeira de Mangueira. Embora estivesse trabalhando na ferrovia no dia da reunião oficial de fundação da escola e não pudesse assinar a ata, Carlos é reconhecido como um de seus fundadores históricos.
Sua parceria com Cartola tornou-se uma das mais importantes da história do samba. Juntos, criaram obras marcantes como “Pudesse Meu Ideal”, samba que levou a Mangueira ao título de campeã em 1932, e “Chega de Demanda”, um dos marcos dos primeiros desfiles da escola.
Autor de mais de 500 composições, Carlos Cachaça também entrou para a história por ser o primeiro compositor a introduzir elementos históricos nos sambas-enredo, uma inovação que se tornaria tradição em todo o carnaval brasileiro.
Mesmo trabalhando durante décadas na Estrada de Ferro Central do Brasil, onde se aposentou como oficial de administração em 1965, jamais se afastou do samba e da Mangueira. Sua dedicação à escola atravessou gerações, tornando-o uma das maiores referências da verde e rosa.
Em 1997, aos 95 anos, recebeu uma emocionante homenagem na quadra da Mangueira por ser o único fundador vivo da agremiação. Dois anos depois, em 16 de agosto de 1999, despediu-se da vida aos 97 anos, deixando um legado que permanece vivo em cada desfile, em cada batuque e em cada verso que celebra a história do samba.
🌿 Mais do que compositor, Carlos Cachaça foi um guardião da memória da Mangueira e um dos arquitetos da cultura popular brasileira. Seu nome permanece eternamente ligado ao morro que ajudou a transformar em símbolo do samba.