16/09/2026
Amelinha Teles, presente! ✊🕊️
É com muito pesar que a Anpuh-SP recebe a notícia do falecimento de Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, aos 82 anos.
Nascida em Contagem (MG) em 1944, Amelinha foi presa e torturada pela ditadura militar em 1972, ao lado do marido César Teles — episódio que registrou em livros como Contos da Cela 3.
Foi também autora da ação judicial que levou, em 2008, ao reconhecimento de Carlos Alberto Brilhante Ustra como torturador, um dos marcos jurídicos mais importantes contra a impunidade da ditadura no Brasil.
Fundou a União de Mulheres de São Paulo, integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e participou dos fóruns que discutiram direitos das mulheres na Constituinte de 1988. Em 2023, a Unifesp lhe concedeu o título de Doutora Honoris Causa.
É mãe da historiadora Janaína Teles e de Edson Teles, professor da Unifesp, ambos crianças quando testemunharam a tortura dos pais durante a prisão de 1972.
Para muitos de nós, Amelinha não era apenas uma referência de pesquisa ou uma personagem da historiografia da resistência. Era presença viva, generosa, de convívio.
Sua partida deixa uma lacuna irreparável, mas também um legado de coragem e memória que seguirá orientando nosso trabalho e luta como historiadores e historiadoras e inspirando a todos que querem uma sociedade mais justa.
A Anpuh-SP registra sua solidariedade a Janaína e Edson Teles e a todos que conviveram com Amelinha.