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Conselho de Promocao da Igualde Racial_PG Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288, de 2010)

BANCADA NEGRA DE 1988: QUATRO VOZES QUE MEXERAM NA COLUNA VERTEBRAL DO BRASILTem gente que acha que a Constituição de 19...
16/12/2025

BANCADA NEGRA DE 1988: QUATRO VOZES QUE MEXERAM NA COLUNA VERTEBRAL DO BRASIL

Tem gente que acha que a Constituição de 1988 caiu pronta do céu. Que foi obra de anjo, milagre ou alinhamento cósmico.
Nada disso. Democracia, meu parceiro, se constrói no braço e na teimosia — especialmente quando a pele diz mais do que o currículo.

Em plena Constituinte, quando o país ainda tateava a própria liberdade depois da ditadura, lá estavam quatro gigantes:
Benedita da Silva, Paulo Paim, Edmilson Valentim e Alberto Caó.
Quatro pretos. Quatro teimosos. Quatro que decidiram que o Brasil precisava olhar no espelho sem desviar o rosto.

Eles entraram num Congresso majoritariamente branco, elitista e acostumado a decidir o destino do país sem escutar quem carrega o peso da história nas costas.

E entraram sem pedir licença — porque quem tem legado pra construir não bate na porta, entra e fala.

BANCADA NEGRA DE 1988: OS QUATRO QUE CRAVARAM NA CONSTITUIÇÃO QUE RACISMO É CRIME

BENEDITA DA SILVA
A voz da favela no plenário. Mulher preta que enfrentou preconceito em doses industriais e mesmo assim botou o dedo na ferida. Falou por quem nunca tinha sido ouvido — e fez o Congresso engolir o choro.

PAULO PAIM
Aquele que argumenta como quem bate martelo. Sério, firme, imbatível. Representou milhões de trabalhadores negros que sempre sustentaram o país e nunca tiveram o país sustentando eles.

EDMILSON VALENTIM
Combativo, direto, sem curvas. Levou o debate racial pra dentro do Parlamento como quem abre janela em sala mofada: entrou luz, entrou ar, entrou verdade.

ALBERTO CAÓ
O primeiro jornalista negro da Constituinte. Foi ele quem redigiu com a precisão de quem sabe o tamanho da luta:
“A prática do racismo é crime inafiançável e imprescritível.”
Artigo 5º, inciso XLII.

Não é frase bonita. É cravado em pedra. É linha que atravessa o tempo. É espada fincada no chão do Brasil dizendo: racismo não passa mais impune.

O BRASIL QUE NASCEU EM 1988 TEM DIGITAL PRETA NO DNA

A verdade é simples e direta: se hoje o racismo é crime no Brasil, foi porque quatro negros decidiram enfrentar um país que fingia não ser ra***ta.

Eles seguraram a caneta. Eles bateram de frente. Eles colocaram no texto constitucional aquilo que sempre esteve no texto da vida do povo preto.

A Bancada Negra da Constituinte não pediu favor.

Fez história.

E não história pequena — história que ainda sustenta nossas batalhas de hoje.

POR QUE ISSO IMPORTA AGORA?

Porque tem gente querendo amaciar a memória nacional.
Querendo transformar racismo em “mal-entendido”, discriminação em “opinião” e violência histórica em “exagero”.

Mas enquanto existir preto nesse país, vai existir lembrança.
E enquanto existir lembrança, existe luta.
E enquanto existir luta, ninguém vai apagar o que Benedita, Paim, Valentim e Caó escreveram em 1988:

RACISMO É CRIME. PONTO.

26/11/2025

Em seu novo livro, “Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, visibilidade e formas de gestar o impossível”, a jornalista e professora Rosane Borges () se nutre de um oceano de referências para apresentar e acompanhar gestos e atos de transformação empreendidos por mulheres negras, destinados a formular e a executar um novo projeto de país e de mundo.

A obra, publicada pela Editora Instante, será lançada oficialmente nesta segunda-feira (24), a partir das 18h, no Cine Brasília, na capital federal, como parte da programação da Marcha das Mulheres Negras 2025. O lançamento antecede a exibição do documentário “Afrolatinas: Mulheres Negras em Movimentos”, gratuitamente, no mesmo local.

👉🏿 Acesse a reportagem na íntegra pelos stories ou pelo site: https://almapreta.com.br/

Texto: Verônica Serpa () | Alma Preta Jornalismo
📸Reprodução/Festival 3i

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O VAZIO DO ESPÍRITO PÚBLICO E O PREÇO QUE O POVO PRETO PAGATem hora que eu olho pra história do Brasil e penso: se exist...
26/11/2025

O VAZIO DO ESPÍRITO PÚBLICO E O PREÇO QUE O POVO PRETO PAGA

Tem hora que eu olho pra história do Brasil e penso: se existisse um medidor de engajamento cívico, ia acender igual painel de carro velho — tudo piscando em alerta. Porque onde falta espírito público, sobra desigualdade. E essa conta nunca chega na porta de quem tem mais: ela cai sempre no colo de quem já nasce correndo atrás, em pista molhada e com vento contra.

O racismo estrutural? Não é fantasma. É um prédio inteiro. E adivinha: falta gente disposta a derrubar parede por dentro.
1. Ausência de Participação Pública: o silêncio que faz barulho
Quando a sociedade não se mexe, o sistema faz o que sempre fez: aperta o pescoço dos mesmos.

Essa ausência cria desertos de políticas públicas, falta de investimento, falta de debate, falta de tudo — menos de violência.

E o mais doído?

Muita gente sabe, mas finge que não viu.

É o tipo de indiferença que corta mais fundo que ofensa.
2. Sub-representação Política: cadeira tem, mas não tem gente preta sentado nela.

É quase piada pronta: um país com maioria negra e um parlamento que parece elenco de novela de época.

Falta negro decidindo orçamento, votando prioridade, escrevendo lei, fiscalizando poder. E sem isso, meu irmão, não existe avanço consistente. É querer chegar longe sem volante.

O sistema sabe muito bem: quem não ocupa decisão, só recebe decisão. E quase nunca é boa.

3. Vulnerabilidade, Violência e Silenciamento: a pedagogia do medo

O Estado brasileiro aprendeu direitinho a calar a voz preta.
Seja pela bala, pelo abandono, pela criminalização, pela precarização, pelo “você espera aí que a gente chama”.
Falta espírito público porque sobra medo: medo do que o protagonismo negro provoca.
Medo de admitir que se a igualdade racial entrar pela porta, muita estrutura velha cai pela janela.

4. O Desconhecimento Conveniente
Tem gente que se diz “neutra”.
“Eu não tenho nada contra, mas também não me meto.”
Esse é o famoso não me comprometo.
O aperto de mão do racismo estrutural.
Quando a pessoa vira as costas pra realidade racial do país, ela empurra o povo preto pra margem — e depois ainda pergunta por que a margem existe.

E, AÍ, QUAL É A SAÍDA?
Aqui é onde entra a parte visionária — aquela esperança teimosa, quase insolente, que o povo preto carrega como DNA e legado.
O avanço das pautas raciais depende de três pilares simples e gigantes:

I. Políticas Públicas Efetivas
Nada de papel bonito que pega poeira.
É política com verba, prazo, gente competente e monitoramento.
Do contrário, é só promessa com maquiagem.

II. Protagonismo Negro
Não adianta chamar pra foto se não chamar pra mesa.
O povo preto tem método, tem memória, tem vivência e tem solução.
O país precisa parar de tratar esse capital humano como “participação simbólica”.
Protagonismo não é vaidade — é reparação e inteligência política.

III. Solidariedade Antirra***ta
Não é curtida em novembro.
Não é lacre de rede social.
É se comprometer todo dia com o fim da desigualdade — mesmo quando dói, incomoda ou tira privilégios do lugar.
A solidariedade que transforma é aquela que assume risco.

O CHAMADO FINAL: O ESPÍRITO PÚBLICO COMO RESGATE

O “espírito público”, no fim das contas, é só o nome elegante pra atitude básica: cuidar do que é de todos.

E aqui vai a real: sem esse espírito, o racismo estrutura, organiza, decide e define o destino do país.

Com ele, a gente começa a desmontar tijolo por tijolo — devagar, mas com firmeza — o prédio torto que ergueram sobre nós.

O povo preto não quer favor.

Quer justiça.
Quer voz.
Quer espaço.
Quer futuro.

E tudo isso só nasce onde existe consciência coletiva — aquela disposição de olhar pro país e dizer:

“Ou todo mundo caminha, ou ninguém chega.”

Que cada leitor desse texto se veja chamado, provocado, cutucado.
Porque espírito público não nasce do nada: ele desperta quando alguém decide que a indiferença não é mais opção.

Porque, meu amigo, quando o povo preto levanta a cabeça, a história levanta junto.

***ta

COISAS DE PRETOA INSURREIÇÃO DO QUEIMADO:: FOGO CONTRA A ESCRAVIDÃOMais de 300 negros escravizados disseram: basta! Em 1...
09/10/2025

COISAS DE PRETO
A INSURREIÇÃO DO QUEIMADO:: FOGO CONTRA A ESCRAVIDÃO

Mais de 300 negros escravizados disseram: basta!

Em 19 de março de 1849, o Brasil assistiu a um dos maiores gritos de liberdade da sua história: a Insurreição do Queimado, no Espírito Santo. Não foi um episódio isolado, nem “confusão de senzala”, como muitos livros antigos tentaram reduzir. Foi uma rebelião organizada, com líderes, estratégia e coragem — mais de trezentos negros escravizados se levantaram contra um sistema que lhes roubava não só o corpo, mas também o futuro.

Os nomes ecoam até hoje: Chico Prego, João da Viúva e Elisiário Rangel. Eles se ergueram como símbolos de uma luta que o Império tentou apagar, mas que segue viva na memória coletiva. O movimento foi tão intenso que precisou de reforços vindos do Rio de Janeiro para ser contido.

Tudo começou com a mentira da falsa promessa de liberdade. O padre Gregório de Bene, interessado na construção da igreja de São José do Queimado, espalhou o boato de que, na inauguração do templo, os negros que ajudaram nas obras seriam libertos. No dia marcado, a palavra de alforria não veio. O que veio foi a indignação. O que veio foi o fogo.

A igreja recém-construída foi incendiada, num ato que não pode ser lido como “vandalismo”, mas sim como manifesto político: queimava-se ali a farsa da promessa, queimava-se a hipocrisia de uma sociedade que usava a fé para manter o cativeiro.

A repressão foi brutal. Muitos foram feridos e mortos, outros presos e julgados. Cinco líderes receberam sentença de morte. Mas a chama da liberdade não se apagou: Elisiário Rangel escapou da prisão e se refugiou nas matas do Morro do Mestre Álvaro, onde jamais foi recapturado. Tornou-se lenda viva de resistência.

A população branca e rica da Serra e do Espírito Santo passou décadas tentando minimizar o episódio, como se fosse apenas uma rebelião pontual. Mas a Insurreição do Queimado foi muito mais: foi guerra de libertação, foi a denúncia aberta contra o cativeiro, foi o anúncio de que não haveria paz enquanto a escravidão existisse.

A história do Brasil oficial tentou calar, mas a memória preta resiste. O Queimado não foi derrota — foi sinal de que a liberdade não viria como presente dos senhores, mas como conquista do povo negro.

E é por isso que, hoje, lembrar a Insurreição do Queimado é também lembrar que a liberdade no Brasil nunca foi dádiva: foi luta. Foi sangue, foi fogo, foi coragem preta.

Chico Prego, João da Viúva e Elisiário Rangel: nomes que ecoam resistência.


COISAS DE PRETO. Por que as pessoas negras são as mais afetadas pelas desigualdades?A resposta é simples, mas dolorosa: ...
08/10/2025

COISAS DE PRETO. Por que as pessoas negras são as mais afetadas pelas desigualdades?

A resposta é simples, mas dolorosa: porque o sistema foi feito pra isso. Séculos de escravidão, exclusão e racismo estrutural deixaram cicatrizes que o tempo não curou — apenas disfarçou.

A desigualdade racial não é um acidente. É um projeto antigo, sofisticado e persistente. Enquanto o país progredia, a população negra era empurrada para as margens — sem terra, sem escola, sem acesso à saúde, sem voz.

E quando, mesmo assim, ela se levanta, cria, empreende e resiste, o sistema reage: corta verbas, nega oportunidades, apaga histórias.

Hoje, o reflexo está nas estatísticas — mas também no cotidiano.

São as pessoas negras que enfrentam os piores salários, o desemprego mais alto, as moradias mais precárias e os impactos mais severos da crise climática.

Não é coincidência. É estrutura.

Mas há um detalhe que o racismo nunca conseguiu apagar:
a força de um povo que, mesmo oprimido, construiu o Brasil.
Da cultura à ciência, da fé à arte, o povo preto sempre foi motor, não sombra. Por isso, a luta por justiça racial é urgente, inadiável e coletiva. Porque quando o Brasil for justo com a sua gente preta, será justo com todos.

“A desigualdade racial não é natural — é histórica.”

COISAS DE PRETO – SOLANO TRINDADE E ABDIAS NASCIMENTO: DOIS FARÓIS DA CONSCIÊNCIA NEGRAHá encontros na história que não ...
07/10/2025

COISAS DE PRETO – SOLANO TRINDADE E ABDIAS NASCIMENTO: DOIS FARÓIS DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Há encontros na história que não cabem no esquecimento. O diálogo entre Solano Trindade e Abdias Nascimento, dois dos maiores intelectuais e militantes do século XX, é desses momentos em que o destino parecia conspirar para que a luta do povo negro no Brasil tivesse corpo, voz e poesia.

Solano, o poeta do povo, folclorista e multiartista, fez da palavra um tambor. Em seus versos e no seu teatro popular, exaltou a beleza da cultura afro-brasileira e denunciou o racismo estrutural que insistia em invisibilizar sua gente. “Tem gente com fome”, escreveu, não como metáfora distante, mas como realidade pulsante das periferias.

Abdias, o estrategista, fundador do Teatro Experimental do Negro (TEN) em 1944, transformou a arte em trincheira política. Sua pena e sua voz ocuparam tribunas, palcos e universidades. Deputado federal, senador, diplomata, artista plástico, Abdias foi o arquiteto de uma política de valorização da identidade negra num país que fingia ser “democracia racial” enquanto esmagava a população preta.

Relação e convergência
• Colaboração no ativismo: Solano participou de atividades no TEN, espaço revolucionário criado por Abdias, que abriu palcos e mentes para que atores e atrizes negras ocupassem o teatro brasileiro sem máscaras de subserviência.
• Alinhamento de ideias: Ambos acreditavam que a arte não era ornamento, mas arma. Poesia, teatro, pintura, organização política — tudo servia para romper os grilhões da desigualdade.
• Legado comum: Enquanto Solano valorizava o enraizamento popular e ancestral, Abdias costurava articulação política e institucional. Dois lados da mesma moeda: a libertação negra no Brasil.


Por que importa hoje?
No século XXI, quando ainda discutimos genocídio da juventude negra, racismo estrutural e representatividade, olhar para Solano e Abdias é recuperar a lição de que a luta pela igualdade não se faz apenas no grito ou na lei, mas também na arte e no imaginário coletivo. Eles nos ensinaram que resistir é criar, e criar é resistir.
Solano Trindade e Abdias Nascimento foram mais do que intelectuais: foram faróis. E como todo farol, permanecem acesos mesmo quando as tempestades tentam apagar.

Endereço

Rua Xavantes, Nº 51, Bairro Tupi
São Paulo, SP
11703-300

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