10/05/2026
Hoje é Dia das Mães. Então, antes de qualquer coisa, parabéns a todas as mães. Porém, aqui neste grupo, é importante que possamos refletir sobre o significado dessa data. Mas como?
Eu sempre digo — e defendo há três décadas — que o terreiro é um território sagrado que pode e deve refletir sobre TUDO. Seja qual for o tema, esse território precisa estar preparado para dialogar com todas as questões da sociedade.
Mas de que forma?
O território sagrado de Òrìsà pensa, reflete e dialoga a partir dos seus próprios hábitos, costumes e da sua cultura ancestral. Nesse sentido, quando falamos de mães, precisamos falar sobre Mulheres. Exatamente: TODAS as mulheres.
E, para falar de todas, devemos refletir sobre a maior representação delas: Ìyámi Òṣòróngá — a Grande Mãe Ancestral.
Quando falamos de Ìyámi Òṣòróngá, todos os homens devem se curvar. Aqui estamos falando do SAGRADO FEMININO. Um sagrado que não apenas gera a vida, mas também gera o poder do MATRIARCADO AFRICANO.
E quando falamos desse poder, falamos das grandes Yabás:
Yabá Nanã
Yabá Iyemonjá
Yabá Osún
Yabá Oyá
Yabá Ewá
Yabá Obá
Yabá Otin
Entre tantas outras que, muitas vezes, permanecem desconhecidas na diáspora, mas que seguem vivas na ancestralidade africana.
O MATRIARCADO AFRICANO é a base, o fundamento e a estrutura do terreiro. Não é possível pensar os povos tradicionais de matriz africana sem compreender que sua organização é essencialmente matriarcal.
São as Yabás que sustentam o terreiro e, consequentemente, sustentam também todos os homens dentro dele.
Por isso, apesar de hoje também ser uma data comercial, é fundamental parabenizar todas as Yabás — todas as mulheres. Sem elas não existiria vida. E a cultura de Òrìsà compreende algo ainda maior: sem elas não haveria chão, nem ar, nem existência.
O MATRIARCADO AFRICANO é o sistema que organiza o terreiro, estrutura a hierarquia, educa a comunidade e sustenta todo o território sagrado.
Por isso, não cabe dentro do terreiro nenhuma ideologia que esteja acima ou além do próprio MATRIARCADO AFRICANO.
Atenciosamente
Bàbálórìsá Mégé Légbé (Ronaldo Arruda)
Ilê Mimo