15/05/2024
O Rio Grande do Sul enfrenta um cenário trágico. No dia 14/05, de acordo com os dados divulgados pela Defesa Civil do estado, havia 446 municípios afetados pelas enchentes, 76.884 pessoas em abrigos, 538.545 pessoas desalojadas, 806 feridos, 124 desaparecidos e 148 pessoas mortas.
Não é possível desvincular crise climática global e exploração capitalista.
Especif**amente no caso do Rio Grande do Sul, pouco se investe em prevenção a catástrofes climáticas e os ataques à natureza são constantes. Em abril, foi sancionada a Lei Estadual 151/2023, que regulariza intervenções nas Áreas de Preservação Permanente (APP), permitindo a construção de barragens e açudes em áreas antes preservadas e alterando o curso das águas. Trata-se de uma parceria bem sucedida entre governo, mineradoras e agronegócio, onde o prejudicado é o/a trabalhador/a.
Desastres climáticos geram impactos iminentes à saúde mental dos atingidos: pessoas que perderam casas, fontes de renda, familiares e amigos queridos ou mesmo as referências que tinham do local em que viviam.
Idealmente, a opção internacional deveria ser por estratégias de prevenção e defesa do meio-ambiente, mitigando tragédias climáticas. Mas, neste cenário onde a tragédia já é realidade, como vamos lidar com os impactos psicossociais da enchente? Encarando o sofrimento como individual ou localizando-o no bojo da conjuntura? Atribuindo diagnósticos que dêem conta de cessar qualquer discussão ou articulando estes diagnósticos ao contexto em que surgem?
A demanda pelo fim dos manicômios não se resume aos espaços físicos, diz respeito ao combate à lógica manicomial, historicamente capaz de tamponar questões sociais. Com o avanço da crise climática, se faz urgente que militantes do movimento antimanicomial se apropriem das pautas ambientais.