22/05/2026
Em vez de pensarmos apenas: “o que eu preciso fazer?”, precisamos construir, como rede: “o que nós precisamos fazer juntos diante de uma situação de violência?”
Quando cada serviço atua de forma isolada, as responsabilidades se fragmentam, os fluxos se perdem e, muitas vezes, começa o jogo de culpabilização: a escola culpa a assistência, a assistência culpa a saúde, a saúde culpa o Conselho Tutelar, e assim por diante.
Mas a criança ou o adolescente que revela uma violência não pode depender da sorte de encontrar uma porta de entrada preparada.
A finalidade da Lei nº 13.431/2017 é justamente fortalecer a integração entre os trabalhadores do Sistema de Garantia de Direitos, para que cada profissional, ao se deparar com uma situação de violência, saiba quais procedimentos precisam ser acionados, quais cuidados devem ser garantidos e como articular a proteção com os demais serviços.
A porta de entrada não deve caminhar sozinha. Ela precisa acolher, proteger, registrar, comunicar e articular o cuidado compartilhado.
Porque a proteção não se faz em pedaços.
Ela exige rede, corresponsabilidade e compromisso coletivo para que crianças, adolescentes e suas famílias encontrem no Estado não mais um percurso de repetição e abandono, mas suporte para identificação, reparação e enfrentamento da violência.
Escutar é importante. Mas proteger exige integração.