A HISTÓRIA DA ACADEMIA JOSEENSE DE LETRAS foi pesquisada pelo acadêmico Augusto Dias, cadeira 14, por incumbência do presidente da Academia Joseense de Letras, biênio 2016/2018, Héctor Enrique Giana, e se baseia em fontes primárias e secundárias de pesquisa histórica: atas registradas em cartório, documentos emitidos por órgãos oficiais, publicações oficiais, convites impressos, fotos e artigos publicados pela imprensa escrita e inúmeros depoimentos pessoais prestados por quem participou dessa história, de uma maneira ou de outra, conferindo a ela autenticidade e legitimidade.
O nascimento da ideia de se criar uma Academia de Letras em São José dos Campos aconteceu no dia vinte e sete de julho de mil novecentos e oitenta, no plenário da Câmara Municipal de São José dos Campos, localizada na Praça Afonso Pena, quando se comemorava o ducentésimo décimo terceiro aniversário de fundação de São José dos Campos. Em meio à solenidade em que se prestavam homenagens aos escritores e poetas da cidade com a outorga de um diploma, o prefeito municipal, Joaquim Vicente Ferreira Bevilacqua, “tomado de incontido entusiasmo e ao mesmo tempo tendo diante do seu espírito uma visão panorâmica do que adviria pelo futuro adentro, bradou com todas as energias latentes na interioridade de sua alma, dialogando rapidamente com o professor Domingos de Macedo Custódio” fez uma pergunta-exclamação: “Não seria bom lançar-se a ideia de criação de uma Academia de ‘Letras!?” O professor, tomado também de entusiasmo, disse ao jovem prefeito: “Lance a ideia.” E, de fato, ao assomar à tribuna, o prefeito municipal foi o primeiro a se imortalizar, ao anunciar à seleta assistência ali congregada, o firme propósito de convocar a todos os que laboram no espírito, a se unirem para a fundação da Academia Joseense de Letras. (Ata da segunda reunião da fundação da Academia Joseense de Letras realizada no dia dezessete de novembro de mil novecentos e oitenta, lavrada pelo secretário ‘ad hoc’ Luiz Roberto Calvo e registrada no Cartório do 1º Ofício de São José dos Campos.)
20/10/1980 – O AVANÇO DA IDEIA
No dia vinte de outubro de mil novecentos e oitenta foi realizada a primeira reunião para a fundação da Academia Joseense de Letras, na Sala de Leitura da Biblioteca Pública Cassiano Ricardo, situada à Rua Sebastião Hummel, 110, sob a presidência do professor Domingos de Macedo Custódio, que havia sido incumbido pelo prefeito municipal Joaquim Vicente Ferreira Bevilacqua para proceder aos estudos objetivando a fundação da Academia, “congraçando para esse fim a nata intelectual do município, iniciou a reunião com uma breve exposição dos motivos que levaram o poder executivo a aglutinar as forças vivas da inteligência joseense, todos já bem familiarizados nos centros culturais da cidade pelas belas obras produzidas neste gracioso e pitoresco recanto de nossa pátria.”
“O espírito – asseverou o professor Domingos de Macedo Custódio – supera a matéria. Muitos dos nomes dos grandes cientistas e matemáticos desmaiaram no tempo, mas os dos filósofos, dos artistas consumados, continuam a percorrer a esteira da temporalidade, sempre considerados e estudados com profundo respeito.”
Recordou ainda, em linhas gerais, a maneira como se erigiu a Academia Brasileira de Letras, contando com o concurso das cintilantes cerebrações do tempo – Graça Ar**ha, Araripe Júnior, Lúcio de Mendonça, Coelho Neto, Alberto de Oliveira, Silvio Romero, Rui Barbosa e tantos outros luminares das letras, entre os quais se distinguia Machado de Assis, “espírito atilado e oceânico no conhecimento da psicologia humana, equiparando-se nesse sentido aos grandes escritores do seu mundo contemporâneo, sendo por isso aclamado por seus pares, o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras.”
OS FUTUROS ACADÊMICOS
A ata da primeira reunião para os trabalhos de fundação da Academia Joseense de Letras, realizada no dia vinte de outubro de mil novecentos e oitenta, na Sala de Leitura da Biblioteca Pública Cassiano Ricardo, registra seu início às vinte e trinta horas, sob a presidência do professor Domingos de Macedo Custódio e contou com a presença do Doutor José Lo-Ré, Diretor do Departamento de Cultura, Lazer, Recreação e Turismo da Prefeitura Municipal e também dos intelectuais: Doutor Silvio Marques Neto, Meritíssimo Juiz de Direito da Segunda Vara Cível da Comarca de São José dos Campos; Doutor Hélio Pinto Ferreira, advogado; Doutor Álvaro Gonçalves, advogado; professor Francisco Pereira da Silva, licenciado em letras; professor Jairo César de Siqueira, chanceler da Sociedade Geográfica Brasileira; Doutor Mário Ottoboni, advogado; professor Renato Barreto Ramos, presidente da Sociedade Joseense de Cultura; professor Paulino Rolim de Moura, poeta; Nadir Bertolini, poeta; Luiz Roberto Calvo, bacharelando em Ciências Jurídicas e Sociais; Geraldo Marcondes Cabral, historiador; Elisa Barreto, poetisa e José Diniz Ribeiro de Alcântara, jornalista.
Assim, quatorze intelectuais e um representante da Prefeitura Municipal estiveram presentes à primeira reunião de trabalhos.
A pauta da reunião, cuja data coincidiu com o início das comemorações da Semana Cassiano Ricardo, previa: I) Abertura – rápidas palavras do professor Domingos de Macedo Custódio sobre a fundação da Academia de Letras; II) Palavras do Diretor do Departamento de Cultura, Doutor José Lo-Ré, interpretando o pensamento do prefeito municipal Joaquim Vicente Ferreira Bevilacqua sobre o que representa a Academia de Letras para a vida cultural da cidade; III) Discussão sobre a denominação a ser dada à Academia de Letras; IV) Designação de uma comissão para estudo e aprovação do Estatuto e do Regimento Interno da entidade a fim de submetê-lo à apreciação do prefeito municipal para elaboração do respectivo decreto; V) Designação do dia da próxima reunião preparatória para a fundação da Academia de Letras; VI) Encerramento.
Confira a História completa no site https://www.ajl.org.br/historico