Literatura e Alegria para tocar o coração das pessoas
“Nada do que vivemos tem sentido se não tocarmos o coração das pessoas”. A frase da poetisa goiana Cora Coralina (1889-1985) serviu de inspiração para a educadora Rita Zeinum criar o grupo Operação Alegria, que se dedica à contação de histórias em hospitais de Rio Preto. São 60 voluntários atuando no Hospital da Criança e Maternidade, Hospita
l de Base e Santa Casa. Ao visitar uma criança internada na Pediatria do Hospital de Base de Rio Preto, Rita percebeu que as opções de lazer para os pequenos enfermos eram limitadas. Decidiu, então, comemorar seu aniversário de um jeito diferente: contando histórias para crianças no HB. A diretoria concordou, desde que ela não distribuísse alimentos. E lá foi Rita com livros e fantoches, acompanhada, da sua filha, da sua cunhada e do pastor Mário. Em vez de presentes para a aniversariante, os familiares e amigos comprariam brinquedos para as crianças na loja Balão Mágico. A palhaça Ákila, chamada para ajudar na distribuição dos presentes, acabou participando também do Grupo, com outro palhaço, o José. A experiência foi tão positiva que Rita percebeu que não poderia terminar ali. Por que não repeti-la toda semana? O hospital solicitou que elaborasse um projeto detalhando seus objetivos e metodologia e o encaminhasse à diretoria. Com base na sua experiência – Rita sempre contou histórias para os alunos por acreditar no potencial que a leitura tem de desenvolver habilidades e transmitir valores – ela redigiu o documento, no qual resgata a tradição e a arte da contação de histórias e sua importância para o público infantil. O HB já recebia grupos de palhaços para entretenimento das crianças, mas nenhuma equipe se propunha a oferecer aos pequenos momentos lúdicos e de reflexão por meio da literatura. O sinal verde foi dado em maio. O grupo deveria iniciar o trabalho na quinta-feira seguinte, às 14h30, na Pediatria do HB. Rita pediu auxílio de Roberta, Laura e Ilda Capuano, que trabalhavam com ela na mesma escola, além de Adriana Butschkau. Compraram cortes de chita e providenciaram coletes de flores coloridas, que seriam seu primeiro uniforme. E começaram a atividade, apostando na literatura como instrumento para levar alegria aos corações dos enfermos e familiares. “As histórias contribuem para o alívio da tensão e a transformação do ambiente hospitalar”, explica Rita. “Por meio delas, crianças e adultos esquecem a dor, a desilusão e a solidão enquanto descobrem outros lugares, outros tempos, outros jeitos de viver, de agir e de ser”. A primeira história apresentada pelo grupo Operação Alegria foi Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado. Depois, o repertório passou a incluir outros autores consagrados, como Ruth Rocha, Chico Buarque, Tatiana Belinky, Sylvia Orthof, Herbert de Souza e Jonas Ribeiro. Este último se tornou um parceiro e, pelo menos uma vez por ano, vem a Rio Preto trazendo seu baú de histórias. A resposta das crianças foi fantástica, relembra Rita: “As enfermeiras vinham nos contar que elas voltavam melhor após ouvirem as histórias. Uma vez entramos nos quartos carregando um lobão. Tinha criança deitadinha, amuada, no soro, que se levantava da cama para interagir com o boneco”. No mês seguinte, mais duas voluntárias juntaram-se ao grupo: Aline e Adriana. Depois vieram outros, de profissões variadas: educadores, funcionários públicos, comerciantes, psicólogos, jornalista... A divulgação foi acontecendo no boca a boca. Com a inauguração do Hospital da Criança e Maternidade, HCM, em outubro de 2013, o trabalho passou a ser realizado nas dependências do novo edifício: primeiro nas brinquedotecas dos 6º e 7º andar; depois no hall do 6º andar, além de quartos, UTIs, setor de Oncologia e salas de pré e pós operatório e as recepções da Emergência, do Instituto Lucy Montoro e do Ambulatório de Pediatria do Hb. O foco principal é a leitura, complementada por teatro de bonecos, músicas e atividades como oficinas de colagem, dobradura, pintura e confecção de
máscaras, que contribuem para fixar o conteúdo apresentado. A contação proporciona momentos de encantamento e aguça o imaginário, não só dos pequenos enfermos, mas dos acompanhantes, pais ou familiares, que ouvem atentamente as histórias e interagem com os voluntários de maneira entusiasmada. Informações:
Rita Zeinum, (17) 99608-7277, [email protected]
Cristina Nabuco, (17) 99775-8804, [email protected]