13/02/2026
O salário in natura somente se caracteriza quando a utilidade é fornecida pelo trabalho, de forma habitual, gratuita e como vantagem econômica pessoal ao empregado, nos termos do art. 458 da CLT. A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho adota critério funcional, analisando a finalidade da utilidade, distinguindo se ela é concedida como contraprestação salarial ou para viabilizar a prestação do serviço.
Não há natureza salarial quando a utilidade é fornecida para o trabalho ou quando decorre de previsão em convenção ou acordo coletivo, ainda que haja habitualidade. Nesse sentido, a Súmula 367 do TST estabelece que habitação, energia elétrica e veículo não integram o salário quando indispensáveis à execução do trabalho, ainda que utilizados pelo empregado para fins particulares. A Súmula 241 do TST fixa que o auxílio-alimentação pago em dinheiro possui natureza salarial, integrando a remuneração para todos os efeitos legais. A Orientação Jurisprudencial nº 133 da SDI-1 do TST dispõe que o auxílio-alimentação fornecido por empresa inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador não tem natureza salarial. A OJ nº 413 da SDI-1 do TST reconhece a validade de norma coletiva que atribua natureza indenizatória ao auxílio-alimentação, afastando sua integração ao salário. Soma-se a isso o entendimento reiterado do TST, à luz do art. 611-A da CLT, de que os benefícios previstos em convenção ou acordo coletivo prevalecem sobre a lei e não possuem natureza salarial, salvo hipótese de fraude.
A prevalência da norma coletiva encontra fundamento expresso no art. 611-A da CLT, que dispõe: “Art. 611-A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: (…) XX – alimentação fornecida como benefício, inclusive o valor do auxílio-alimentação, vedado seu pagamento em dinheiro, observado o disposto em lei.”
Tem mais perguntas, ligue para nós aqui no Sindivarejo Duque de Caxias Magé.