25/03/2022
A pesquisa começou em 2013 e englobou áreas mapeadas em um trecho de 376 mil km² no leste da Amazônia, onde está o maior núcleo de produção e colheita de açaí no Brasil. Ela aponta que o cultivo do açaí está levando a uma perda significativa da biodiversidade. Árvores-símbolo da Amazônia, como a Samaúma e o Jatobá, estão desaparecendo da paisagem e dando lugar a campos de monocultura da fruta. Muitas dessas plantas fornecem sombra para outras espécies e servem de abrigo para a fauna local, como pássaros e insetos, além de ajudar na reciclagem de nutrientes do ecossistema amazônico. Elas são retiradas para abrir espaço para o plantio dos açaizeiros e deixar o sol incidir sobre os pés da fruta (a sombra pode retardar seu crescimento). Autoridades dizem que criaram regras para proteger a biodiversidade amazônica, e os produtores afirmam seguir as normas e negam que causem prejuízo à floresta. Os cientistas reconhecem sua importância para a manutenção da renda dos ribeirinhos, assim como para a cultura local, mas reforçam que o cultivo de açaí está provocando mudanças profundas na Amazônia que podem desestabilizar todo o ecossistema. Assim, defendem que as atuais normas sejam revistas, de forma a reduzir ainda mais a extração máxima permitida e pedem que se desenvolva um programa de recuperação florestal com o replantio das espécies nativas, para preservar inclusive o próprio cultivo do açaí.
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