24/09/2026
ENTREVISTA INÉDITA
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Ao investigar as engrenagens e as especificidades da ditadura civil-militar no antigo Território Federal do Amapá, o historiador Dorival da Costa dos Santos — professor da UNIFAP, ex-presidente da Comissão Estadual da Verdade do Amapá (CEV-AP) e autor da pesquisa pioneira sobre o tema — demonstra como o regime autoritário adaptou suas práticas de controle a uma estrutura sociopolítica singular. Longe de reproduzir o modelo de confronto bélico e clandestinidade característico das grandes metrópoles do Centro-Sul, onde o anonimato era viável, o contexto amapaense, pautado por um reduzido contingente demográfico e por profundos laços comunitários, inviabilizou a formação de organizações de luta armada e reconfigurou a oposição em uma resistência essencialmente molecular e cultural, articulada em sarais, artes, grêmios estudantis e núcleos religiosos. Por outro lado, o aparato repressivo estatal, diretamente subordinado ao centro do poder nacional em razão do estatuto de Território Federal, valeu-se não apenas das prisões e torturas praticadas nas dependências da Fortaleza de São José de Macapá, mas também da apropriação do imaginário fantástico e do folclore amazônico — como na farsa montada em torno da Operação Engasga — para disseminar o terror psicológico, legitimar a militarização policial e impor o controle social. Assim, a recuperação historiográfica empreendida por Dorival dos Santos e consubstanciada nos trabalhos da CEV-AP, ao documentar também os severos impactos das obras de infraestrutura sobre as populações indígenas e recolher oitivas de vítimas do arbítrio, revela-se fundamental no combate ao apagamento histórico, consolidando o uso pedagógico dos lugares de memória e a promoção permanente da educação em Direitos Humanos.
Adquira o livro "Entre a Tortura e a Matinta Pereira: uma abordagem cultural da ditadura militar no Amapáscismo", de Dorival da Costa dos Santos: https://bit.ly/4rorrVr