09/03/2026
Mulheres indígenas muitas vezes já crescem aprendendo a resistir. Desde meninas, seus corpos e suas existências enfrentam violências que atravessam gerações dentro de um sistema que ainda é marcado pelo patriarcado, pelo racismo e pela invisibilização.
Mas quando a violência chega, o silêncio costuma chegar antes. Primeiro dentro de casa, depois no caminho até buscar ajuda e, muitas vezes, também na delegacia,onde nem sempre há alguém que fale sua língua ou compreenda sua realidade.
Essa mulher existe. Ela é real. E, na maioria das vezes, o Estado brasileiro ainda não a enxerga.
Neste Dia Internacional da Mulher, enquanto o país celebra conquistas femininas, muitas mulheres indígenas ainda lutam por algo mais básico: ser vistas. Porque sem visibilidade não há política pública. Sem política pública não há proteção. E sem proteção, a violência continua.
Em 2023, a deputada federal Célia Xakriabá protocolou o PL 4381/2023, um projeto histórico que busca garantir atendimento adequado a mulheres indígenas vítimas de violência doméstica. A proposta prevê respeito às especificidades culturais e étnicas, além da presença de intérpretes quando necessário para que nenhuma mulher deixe de denunciar por não conseguir se comunicar.
O projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue em tramitação no Senado, tendo como relatora a senadora Augusta Brito.
O debate também tem sido impulsionado por lideranças indígenas. A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, tem destacado o aumento das denúncias e o papel das redes sociais como ferramenta de proteção e visibilidade para mulheres indígenas.
Nos tribunais, vozes como a da defensora pública indígena Aléssia Bertuleza Tuxá também denunciam a chamada violência institucional: quando mulheres indígenas procuram ajuda e encontram, em vez de acolhimento, preconceito e barreiras de comunicação.
Neste 8 de março, lembrar das mulheres indígenas é reconhecer uma luta ancestral por dignidade, justiça e vida.
Se você ou alguém que conhece está em situação de violência, denuncie. Ligue 180 ou procure ajuda. Silêncio não pode ser destino.
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